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Vacinas contra chikungunya avançam no Brasil com novas frentes

Vacinas contra chikungunya avançam no Brasil novas frentes

O Brasil acelera a busca por vacinas contra a chikungunya, uma doença que cresce no país e causa dores incapacitantes que podem durar meses. Duas vacinas já avançaram na etapa regulatória este ano: uma da Eurofarma, em análise na Anvisa, e outra do Instituto Butantan, autorizada a iniciar a produção. A informação é da Agência Einstein, publicada pela revista Super.

Por que a doença preocupa

Transmitida pela picada de mosquitos do gênero Aedes, a chikungunya foi confirmada no Brasil em 2014 e hoje circula em todas as regiões do país. Apesar da baixa mortalidade, a infecção pode ser muito desagradável e, em alguns casos, tirar a pessoa do trabalho por semanas.

“A repercussão clínica pode retirar o paciente de suas atividades por bastante tempo”, afirma o infectologista Luís Fernando Aranha Camargo, do Einstein Hospital Israelita. Por isso, a vacinação é vista como uma estratégia relevante de saúde pública.

Em 2025, o Brasil notificou 129.123 casos prováveis da doença, dos quais 107.975 confirmados, além de 121 mortes, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Entre o fim de 2025 e o início de 2026, a entidade observou aumento sustentado de casos em vários pontos das Américas.

As duas vacinas em destaque

A vacina da Eurofarma, chamada CHIKV VLP, foi submetida à Anvisa em junho. Ela já é aprovada nos Estados Unidos, na União Europeia, no Reino Unido, na Suíça e no Canadá para pessoas a partir de 12 anos. A fórmula usa partículas que imitam a estrutura externa do vírus sem carregar genoma, por isso não infectam células.

Já o Butantan recebeu autorização da Anvisa em maio para produzir a Butantan-CHIK, desenvolvida com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. O imunizante usa vírus vivo atenuado e está liberado para pessoas de 18 a 59 anos com risco aumentado de exposição.

CaracterísticaEurofarma (CHIKV VLP)Butantan (Butantan-CHIK)
PrincípioPartícula sem genoma do vírusVírus vivo atenuado
PúblicoA partir de 12 anos18 a 59 anos
EtapaEm análise na AnvisaProdução liberada

Produção nacional e autonomia

A Butantan-CHIK tem o mesmo princípio ativo da Ixchiq, a primeira vacina contra a chikungunya registrada no mundo. O acordo com a Valneva prevê transferência de tecnologia, com o instituto responsável pela formulação e pelo envase.

Para o infectologista Julio Croda, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, dominar essas etapas dá ao país mais autonomia e reduz a dependência de doses importadas. “A chikungunya é um problema no Brasil, com surtos e óbitos frequentes”, lembra. A rotina de prevenção também passa por hábitos diários, como mostra um estudo sobre o impacto do café na saúde.

Estratégia no SUS e terceira frente

Hoje, a vacinação ocorre em um projeto-piloto conduzido pelo Butantan com apoio do Ministério da Saúde. A iniciativa engloba municípios de Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Sergipe e São Paulo, para avaliar o impacto da imunização em larga escala sobre a transmissão.

Além das duas vacinas, pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade de Bonn testam uma terceira abordagem, ainda em fase pré-clínica, com estudos em camundongos. A novidade reforça a importância da pesquisa em saúde no enfrentamento da doença.

A vacinação é uma das frentes no combate às arboviroses, tema que conecta ciência e saúde pública. Para entender melhor como o sistema imunológico pode ser fortalecido, vale conferir como cientistas turbinam células de defesa para atacar tumores.

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