Pesquisadores do British Geological Survey (BGS), o serviço geológico do Reino Unido, identificaram os restos de um supervulcão gigante sob a costa leste da Inglaterra — uma estrutura de pelo menos 65 km de extensão que entrou em erupção com a força de milhares de bombas de hidrogênio há cerca de 454 milhões de anos.
Onde fica e qual o tamanho
O supervulcão está centrado sob uma vasta enseada na costa leste da Inglaterra e se estende por partes dos condados de Norfolk e Lincolnshire. Segundo o BGS, a estrutura media pelo menos 65 km de diâmetro, o que o coloca entre os maiores já mapeados na região.
O termo “supervulcão” é usado para erupções que lançam mais de 1.000 km³ de material. Hoje existem cerca de 20 desses vulcões ativos ou dormentes no mundo, entre eles o Yellowstone, nos Estados Unidos, e o lago Toba, na Indonésia.
Uma erupção que espalhou cinzas por metade da Europa
A descoberta ajuda a explicar uma camada gigante de cinza vulcânica encontrada em países como Noruega, Suécia e Polônia. Conforme Tim Pharaoh, pesquisador do BGS e autor principal do trabalho, o supervulcão estava ativo cerca de 200 milhões de anos antes dos dinossauros.
A erupção foi uma das maiores da história do planeta e lançou centenas de km³ de crosta terrestre até a estratosfera. Uma erupção da mesma escala hoje ameaçaria a existência da humanidade, avaliam os pesquisadores.
Para dimensionar a potência: a atividade teria sido milhares de vezes mais forte do que a do Monte Etna, um dos vulcões mais ativos da Europa. Segundo o BGS, a energia liberada corresponde à detonação simultânea de milhares de bombas de hidrogênio.
Como o vulcão foi encontrado
Os cientistas chegaram à descoberta após reanalisar amostras de rocha coletadas há 80 anos em poços profundos nas cidades de North Creake e Claxby, ambas no território inglês. As amostras estavam armazenadas havia décadas e só agora revelaram o passado vulcânico da região.
Há risco de uma nova erupção?
Pharaoh ressalta que não. Segundo o pesquisador, diferente das falhas geológicas, um vulcão extinto não volta a entrar em atividade: “uma vez extinto, acabou. Ninguém precisa se preocupar com o supervulcão voltar a erupcionar”.
A descoberta reforça como regiões hoje planas e tranquilas podem esconder uma história geológica violenta — um tema que aparece também em descobertas recentes, como as seis estruturas misteriosas encontradas no interior profundo da Terra e o sistema magmático escondido sob a crosta de Marte.
