A Meta fechou um acordo para pagar até US$ 16,7 bilhões (cerca de R$ 86 bilhões) em processos que acusavam o Instagram e o Facebook de serem projetados para viciar usuários jovens. O valor pode subir para até US$ 18 bilhões se outras grandes empresas de tecnologia aderirem. A companhia também se comprometeu a mudar as plataformas, com limites diários e restrições de uso.
O que levou ao acordo
Promotores de 29 estados dos Estados Unidos apresentaram ações afirmando que a Meta usou um design proposital que viciava jovens nas redes sociais, mesmo sabendo dos riscos para a saúde mental. Segundo a CNN Brasil, a decisão encerra uma série de processos sobre o tema correndo no país.
Documentos internos e depoimentos de ex-funcionários revelaram que a companhia tinha ciência das preocupações relacionadas ao vício e à saúde dos adolescentes e optou por seguir com o modelo. A Meta negou qualquer irregularidade e afirmou que pesquisas internas não mostraram uma ligação clara entre o uso das redes e a falta de bem-estar.
Mudanças no Instagram e no Facebook
Como parte do acordo, adolescentes terão o uso do Facebook e do Instagram limitado a duas horas por dia. O acesso será bloqueado entre meia-noite e 6h da manhã, exceto com o consentimento dos pais. As regras podem ficar ainda mais rígidas caso Snapchat, TikTok e YouTube adotem termos semelhantes.
A Meta também planeja desativar a maioria das notificações push durante o horário escolar, das 8h às 15h, e reforçar as medidas para impedir que crianças acessem conteúdo com restrição de idade. O acordo, porém, não exige que a empresa abandone as recomendações personalizadas nem a publicidade direcionada.
Acordo também resolve caso Cambridge Analytica
Além do processo por vício, o acordo resolve ações movidas na Califórnia, em Illinois, no Novo México e em Washington, D.C., ligadas ao escândalo de privacidade da Cambridge Analytica, que veio à tona em 2018. Os estados receberão US$ 459,3 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões).
O anúncio foi bem recebido pelo mercado. Após a divulgação, as ações da big tech subiram 2,3% na manhã de quarta-feira. A discussão sobre o tempo que os jovens passam diante das telas ganha cada vez mais espaço, e especialistas alertam para os efeitos no sono e no desenvolvimento.
Impacto para os brasileiros
Ainda que o acordo valha para os Estados Unidos, a decisão pode servir de referência para o debate no Brasil. Questões sobre limites de uso e prevenção ao vício digital já aparecem em discussões sobre funcionalidades do Instagram e em iniciativas de educação para o uso seguro da internet.
O efeito sobre os adolescentes é ponto central. Entender como o excesso de telas afeta o sono dos jovens ajuda a dimensionar a importância de medidas como as anunciadas pela Meta.
E agora?
O acordo marca um dos maiores desfechos já vistos sobre vício em redes sociais, mas deixa em aberto o debate sobre como equilibrar inovação, receita e proteção dos mais jovens. As mudanças anunciadas devem começar a valer conforme as plataformas ajustem seus sistemas nos próximos meses.
