Uso noturno de celulares por adolescentes pode comprometer qualidade do sono, atenção e até o aprendizado, segundo pesquisas apresentadas no Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026, realizado em Porto Alegre (RS). Especialistas apontam que a exposição à luz das telas à noite interfere na produção de melatonina, hormônio essencial para o descanso reparador.
Como as telas afetam o sono dos jovens
Um estudo publicado no JAMA Pediatrics acompanhou 657 adolescentes com idade média de 15 anos e descobriu que quase metade dos jovens acessa o celular entre meia-noite e 4h da manhã em dias de semana. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) instalaram aplicativos de rastreamento nos dispositivos e constataram que os jovens passaram, em média, mais de 50 minutos usando o celular no período noturno.
Segundo Jason Nagata, professor associado de pediatria na UCSF e autor principal do estudo, as principais causas desse uso são notificações que acordam os jovens, insônia e o reflexo de checar a tela ao despertar naturalmente. O uso se concentrou em redes sociais como YouTube, Instagram e TikTok, que são “muito emocionalmente estimulantes” e dificultam o processo de desaceleração mesmo depois de desligar o aparelho.
De acordo com o especialista, o sono tem papel essencial no funcionamento do organismo, comparável à alimentação e à respiração. Durante o descanso, o corpo repara células, produz hormônios importantes como os de crescimento, regula o metabolismo e consolida o aprendizado. Na adolescência, fase crítica de desenvolvimento, a privação de sono pode intensificar a instabilidade emocional e aumentar o risco de transtornos mentais.
Efeitos para além do cansaço
Pesquisas indicam que 70% dos adolescentes dormem menos do que o necessário, segundo levantamento publicado na revista científica JAMA com mais de 120 mil jovens. A privação de sono está associada a irritabilidade, dificuldade de aprendizagem, alterações hormonais e maior risco de obesidade.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, e publicado na Clinical Child Psychology and Psychiatry, analisou três décadas de dados sobre uso de telas entre jovens de até 19 anos. O tempo de uso cresceu de aproximadamente três horas por dia no período anterior à pandemia para mais de quatro horas diárias durante o confinamento, com aumento em todos os grupos socioeconômicos.
Segundo os autores, o aumento do tempo em frente aos aparelhos eletrônicos pode afetar não apenas a saúde física e mental, mas também o sono e o desenvolvimento. A pesquisa revelou que o excesso de telas não é apenas um sintoma de sofrimento pré-existente, mas um fator etiológico independente que impulsiona o agravamento de transtornos mentais.
Como minimizar os impactos
A solução mais direta seria retirar as telas do quarto, medida associada a sono de melhor qualidade e maior duração. Para quem não consegue eliminar o celular do ambiente, desligá-lo completamente é mais eficaz do que deixá-lo no modo silencioso ou vibração, já que vibrações sutis e variações de luz podem interromper o sono.
A Academia Americana de Pediatria recomenda que as famílias estabeleçam um plano coletivo de uso dos aparelhos, e que os pais sirvam de modelo. Para Kerri Anderson, terapeuta infantil e familiar, a abordagem prática passa pelo diálogo antes da imposição de regras. “Queremos que pareça apoio, não punição. Estamos tentando ensinar esses jovens a navegar por essas coisas por conta própria”, afirma.
Para especialistas, investir em rotinas de higiene do sono pode prevenir problemas mais sérios no futuro. Conforme apontam estudos recentes sobre o impacto das novas tecnologias na vida dos jovens, incluindo a atualização do iOS 27, o desafio das famílias é equilibrar os benefícios da conectividade com a preservação da saúde. Além disso, o crescente interesse de empresas como a Nubank em programas de estágio focados em IA mostra que a tecnologia segue avançando, tornando essas discussões ainda mais relevantes para a geração atual.
