Galáxias distantes do universo primitivo podem ser muito mais massivas do que os cientistas imaginavam. Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, descobriu que as galáxias mais massivas do universo antigo contêm muito mais estrelas pequenas e fracas do que o esperado. O estudo, publicado na revista Nature Astronomy em agosto de 2026, sugere que essas galáxias são significativamente mais pesadas do que medições anteriores indicavam.
Como a descoberta foi feita
A equipe combinou observações extremamente detalhadas do Telescópio Espacial James Webb (JWST) com dados do Very Large Telescope, no Chile, para estudar nove galáxias massivas e maduras que pararam de formar estrelas há bilhões de anos. Os pesquisadores conseguiram determinar, pela primeira vez, as proporções reais entre estrelas pequenas e fracas e estrelas gigantes e brilhantes nesses sistemas distantes.
Para chegar a esses resultados, os astrônomos dividiram a luz das galáxias em um espectro, no qual pequenas diferenças de cor revelam os tipos de estrelas presentes. O problema é que esse espectro é dominado pelas estrelas massivas e brilhantes, tornando as estrelas de baixa massa extremamente difíceis de detectar.
Se uma galáxia fosse uma cidade, as estrelas mais brilhantes seriam os arranha-céus que chamam imediatamente a atenção de longe, explicou Chloe Cheng, autora principal do estudo, que obteve seu doutorado em parte baseada nessa pesquisa. Os modelos demonstram que uma população muito mais numerosa de estrelas de baixa massa está escondida por trás dessas poucas estrelas brilhantes.
Impacto nas medições de massa
Historicamente, para estimar a massa oculta em estrelas pequenas e fracas, os astrônomos assumiam que as estrelas se formavam em proporções aproximadamente iguais em todo o universo. Os novos resultados desafiam essa premissa e mostram que as galáxias mais massivas do universo antigo contêm uma fração muito maior de estrelas de baixa massa do que galáxias menos massivas, como a Via Láctea.
O efeito é particularmente impressionante em uma das galáxias da amostra. Essa galáxia provavelmente se formou menos de um bilhão e meio de anos após o Big Bang e pode ser até quatro vezes mais massiva do que estimativas anteriores sugeriam. Para comparação, a Via Láctea tem cerca de 100 bilhões de estrelas e uma massa estimada de 1,5 trilhão de massas solares.
Esse resultado mostra que muito mais massa do que se pensava está escondida nas estrelas de baixa massa, afirmou Mariska Kriek, da Universidade de Leiden, que liderou a pesquisa. Isso tem consequências para muitas áreas da astronomia.
Implicações para o universo primitivo
Desde o lançamento do JWST, os astrônomos vêm encontrando galáxias surpreendentemente massivas e maduras que já existiam pouco depois do Big Bang. Esses novos resultados sugerem que essas galáxias provavelmente eram ainda mais massivas do que o relatado originalmente. Os modelos de formação galáctica agora precisam explicar como quantidades tão grandes de estrelas pequenas puderam se formar tão cedo na história do universo.
Como muitos planetas orbitam estrelas de baixa massa, a descoberta também pode indicar que mais planetas se formaram no universo primitivo do que se supunha anteriormente. Isso abre novas perspectivas para a busca por exoplanetas em galáxias distantes e para a compreensão da evolução cósmica. Outros estudos recentes, como a descoberta de um aglomerado de galáxias surpreendentemente maduro pelo James Webb, reforçam a ideia de que o universo primitivo era mais complexo do que se imaginava.
Nos próximos anos, os pesquisadores planejam aplicar seu método a galáxias ainda mais antigas, na expectativa de se aproximar da era em que as primeiras gerações de estrelas e galáxias se formaram. A pesquisa foi publicada na Nature Astronomy com o título “Hidden mass in early galaxies revealed by bottom-heavy initial mass functions” (DOI: 10.1038/s41550-026-02932-4).
Para quem deseja aprofundar o conhecimento sobre descobertas do telescópio James Webb, é possível conferir também a cobertura sobre o aglomerado de galáxias descoberto pelo JWST e a análise sobre a nova estrela de buraco negro detectada pelo telescópio. A revolução nos estudos astronômicos continua transformando nossa compreensão do cosmos.
