Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv desenvolveram um teste de sangue capaz de detectar câncer de pulmão com precisão superior a 90%, sem necessidade de sequenciamento de DNA. O método, publicado na revista npj Precision Oncology, analisa padrões químicos em fragmentos de DNA livres no sangue e custa aproximadamente US$ 60 por amostra, de acordo com a instituição.
Como funciona o teste
O novo método utiliza uma técnica chamada perfilamento enzimático fluorescente de metilação de cfDNA. Em vez de sequenciar o DNA — processo caro e complexo —, o teste extrai DNA livre de uma amostra de sangue, marca com um marcador fluorescente e o coloca em um chip de DNA especialmente desenvolvido. Um scanner óptico captura os padrões de luz resultantes, que são analisados por algoritmos para identificar a “impressão digital” química do câncer.
A metilação do DNA é um tipo de modificação química que pode influenciar a atividade genética sem alterar a sequência do DNA. Células cancerígenas costumam apresentar padrões de metilação distintos, e fragmentos dessas células que chegam ao sangue podem fornecer uma assinatura molecular reconhecível pelo teste.
Resultados do estudo
O estudo incluiu 103 participantes: 51 pacientes com câncer de pulmão e 52 controles saudáveis. Para pacientes com câncer de pulmão nos estágios 2 a 4, o método alcançou sensibilidade de 93,1% e especificidade de 90,3%. Isso significa que o teste identificou corretamente mais de 93% dos pacientes com a doença e descartou corretamente mais de 90% das pessoas saudáveis.
Segundo o professor Yuval Ebenstein, principal autor do estudo, o objetivo é tornar os testes de sangue para diagnóstico de câncer mais acessíveis, simples e baratos sem comprometer a precisão. A tecnologia pode ser implementada em laboratórios clínicos padrão, o que facilita a adoção em escala.
Limitações e próximos passos
O teste atual leva de dois a três dias para gerar resultados. Os pesquisadores reconhecem que o estudo foi uma prova de conceito com amostra relativamente pequena, e que testes maiores e mais diversos serão necessários para avaliar o desempenho do teste em cânceres de estágio 1 e em populações de risco. Apesar disso, o método representa um avanço significativo em relação às biopsias líquidas tradicionais, que dependem de sequenciamento de nova geração e infraestrutura computacional avançada.
O diagnóstico precoce do câncer de pulmão continua sendo um desafio global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo. Atualmente, o diagnóstico precoce depende primarily de tomografias computadorizadas, que frequentemente geram resultados suspeitos que acabam sendo benignos, levando a biopsias e cirurgias desnecessárias.
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