Um estudo publicado na revista Nature Climate Change revelou que a análise de extremos de calor por hora, em vez de apenas por dia, mostra uma situação mais grave do que os métodos tradicionais indicam. Pesquisadores da Sun Yat-sen University demonstraram que as horas quentes de verão podem triplicar nas próximas décadas, com impactos desiguais entre regiões e gerações.
O que muda com a medição por hora
O estudo calculou cada hora do dia separadamente, comparando temperaturas de horários específicos com seus respectivos históricos entre 1981 e 2010. De acordo com os dados, a média global nas últimas quatro décadas é de cerca de 270 horas de “extremos de calor por hora” por verão, com um aumento de 62 horas por década.
A projeção é que o número total de horas quentes triplique no cenário de emissões médias (3°C de aquecimento até 2100) e aumente 4,5 vezes no cenário de emissões altas (5°C). Para cada meio grau de aumento na temperatura média global, espera-se um acréscimo de aproximadamente 200 horas quentes por verão.
Noites mais quentes
Uma das descobertas mais relevantes é que o número de horas quentes aumenta mais à noite do que durante o dia. Dias que não se qualificam como “dias quentes” ainda registram aumento de várias horas quentes, principalmente à noite. Essas noites mais quentes não seriam detectadas por métricas tradicionais que contam apenas dias quentes.
Os pesquisadores apontaram que a tendência é mais forte nos trópicos, apesar do aquecimento geral ser mais intenso em latitudes mais altas. Isso ocorre porque a variabilidade térmica aumenta nas regiões tropicais, tornando os extremos mais frequentes.
Desigualdade intergeracional
O estudo também analisou diferenças entre países de diferentes níveis de renda. Países de baixa renda suportam mais de três quartos da exposição atual e futura ao calor. Pessoas nascidas em 2023 enfrentarão entre 1,4 e 1,8 vezes mais horas quentes ao longo da vida, dependendo do cenário de emissões, em comparação com quem nasceu em 1981.
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