O presidente Donald Trump assinou um memorando presidencial em 13 de agosto de 2026 criando um programa inédito que permite a empresas privadas americanas conduzir operações cibernéticas ofensivas contra Organizações Criminosas Transnacionais (TCOs) estrangeiras. A medida, anunciada pela Casa Branca, representa a primeira vez que o governo dos EUA autoriza formalmente ataques cibernéticos por empresas privadas.
Controle e supervisão do governo
As empresas selecionadas poderão realizar vigilância cibernética (spyware) e operações de efeito, como destruição ou manipulação de dados e redes, sob controle e supervisão do governo federal, com supervisão conjunta do Departamento de Justiça e do Departamento de Segurança Interna. Para participar do programa, as empresas precisam depositar pelo menos US$ 1 milhão em custódia, que será confiscado em caso de descumprimento das regras.
O memorando proíbe operações contra grupos que sejam parte institucional de um governo estrangeiro, mas especialistas alertam para riscos significativos. É difícil distinguir grupos criminosos de estados-nação em operações cibernéticas, e empregados de empresas participantes poderão ser classificados como combatentes sem uniforme no exterior, expondo-os a riscos legais e físicos.
Críticas e incertezas legais
Críticos apontam que o memorando não estabelece claramente como funcionará o programa na prática, que provavelmente enfrentará desafios legais tanto nos EUA quanto no exterior. A iniciativa levanta preocupações sobre escalada de conflitos cibernéticos e potencial para danos colaterais em sistemas de terceiros. Segundo especialistas em segurança digital, o programa pode mudar fundamentalmente a dinâmica da guerra cibernética global.
O programa também gera debate sobre o papel do setor privado em operações que tradicionalmente eram exclusivas de agências governamentais como a NSA e o Cyber Command. Embora o memorando exija supervisão governamental, a execução delegada a empresas privadas levanta questões sem precedentes sobre responsabilidade e accountability em operações ofensivas.
Entre as empresas que potencialmente participarão do programa estão provedores de segurança cibernética já contratados pelo governo americano, como Palo Alto Networks, CrowdStrike e Mandiant. Essas empresas possuem expertise em detecção de ameaças, mas a transição para operações ofensivas representa um salto qualitativo significativo. Especialistas apontam que a distinção entre defesa e ataque no ciberespaço é frequentemente difusa, e uma operação ofensiva pode acidentalmente atingir infraestruturas civis em países terceiros.
A medida pode inspirar outros governos a adotar abordagens semelhantes, alterando o equilíbrio de poder no ciberespaço global. Países como Rússia e China, que já possuem programas cibernéticos ofensivos sofisticados, podem usar a iniciativa americana como justificativa para expandir suas próprias operações com empresas privadas. Para quem deseja entender mais sobre vulnerabilidades e proteção digital, recomendamos nossa análise sobre a falha grave no Screen Sharing do Mac.
