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Satélite com espelho para refletir luz solar à noite divide cientistas

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Satélite espelho reflete luz solar e divide cientistas nos EUA

Quatro organizações ambientais entraram com um pedido formal para que a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) reverta a aprovação de um satélite equipado com um espelho gigante, projetado para refletir luz solar sobre pontos específicos da Terra durante a noite. O recurso, protocolado na quinta-feira (6), argumenta que a agência ignorou os potenciais impactos do projeto sobre a vida selvagem, a pesquisa astronômica e a segurança dos olhos.

O satélite Eärendil-1, da startup californiana Reflect Orbital, foi autorizado pela FCC em 9 de julho. A nave carrega um espelho de 18 metros de lado — cerca de 59 pés — que deve refletir um feixe de luz de aproximadamente 5 km de diâmetro sobre a superfície do planeta. A empresa pretende vender “luz solar sob demanda” para aplicações como iluminação de eventos, extensão de horários de trabalho e geração de energia.

Quem pede a revisão da decisão

A ação foi protocolada pela DarkSky International, Environment America, American Bird Conservancy e Public Employees for Environmental Responsibility (PEER), com representação jurídica da Earthjustice. Elas pedem que a comissão plena da FCC revise a decisão do escritório espacial da agência, que aprovou a missão sem exigir uma avaliação de impacto ambiental.

Segundo as organizações, a aprovação de um único satélite de teste abre caminho para uma megaconstelação. A Reflect Orbital declarou publicamente que planeja escalar para 1 mil satélites até o fim de 2028, 5 mil até 2030 e 50 mil até 2035, cada geração com espelhos maiores que a anterior.

Preocupações ambientais e astronômicas

As entidades argumentam que a luz refletida pode perturbar a vida selvagem. A iluminação artificial noturna pode alterar o comportamento de aves migratórias, insetos e outras espécies noturnas que dependem da luz da lua e das estrelas para se orientar, se alimentar e se reproduzir.

Os astrônomos também estão entre os principais críticos do projeto. Em março, a American Astronomical Society (AAS) protocolou um pedido para negar a autorização. A preocupação é que um ponto brilhante no céu — que pode chegar a quatro vezes o brilho da lua cheia — interfira nas observações e até ofereça risco a instrumentos de telescópios.

O processo da FCC recebeu mais de 1.800 comentários públicos, em sua grande maioria contrários ao projeto, incluindo manifestações de astrônomos, pilotos e organizações de conservação. Mesmo assim, o escritório espacial da agência concluiu que os impactos sobre a astronomia óptica e o meio ambiente estão fora da sua alçada regulatória, restringindo sua análise a interferência de frequência e detritos orbitais.

O que as organizações pedem

A petição pede que a comissão plena reverta a decisão do escritório espacial e exija uma avaliação pública de interesses e ambiental — incluindo uma Avaliação Ambiental ou Declaração de Impacto Ambiental — antes que o satélite de demonstração seja autorizado a operar.

Como alternativa, as organizações apresentaram 16 condições que a Reflect Orbital teria de cumprir. Entre elas estão: análise independente de brilho do céu e luz espalhada; limite quantitativo de brilho no nível do solo; divulgação antecipada de onde e quando a iluminação ocorrerá; buffer de 160 km em torno de observatórios registrados; exclusões sobre parques nacionais e áreas de proteção ambiental; e proibição de iluminação durante picos de migração de aves na primavera e no outono.

O que a empresa diz

A Reflect Orbital afirma que o Eärendil-1 é um “testbed crucial” para a tecnologia e que a luz pode ser ajustada ou desligada girando o satélite em órbita. A companhia diz que evitará iluminar áreas sensíveis ou designadas para astronomia e que está desenvolvendo um acordo de coordenação com a National Science Foundation (NSF) para reduzir o impacto sobre a atividade astronômica.

Não há prazo definido para a comissão plena da FCC se manifestar sobre o recurso. Enquanto isso, o Eärendil-1 pode ser lançado ainda neste ano.

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Os detalhes do recurso estão disponíveis no comunicado da DarkSky International.

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