A Ring, dona das populares câmeras de segurança residenciais, vai adotar um novo tipo de criptografia que busca dar mais tranquilidade aos clientes sobre a privacidade das imagens. Chamada de TAKE, uma sigla em inglês para “jogue fora a chave”, a tecnologia será ativada por padrão em todos os aparelhos da marca a partir de setembro. A informação foi divulgada pela CNN.
Como funciona o TAKE
Com o novo sistema, os vídeos armazenados na nuvem ficam em uma espécie de cofre digital ao qual apenas o dono da conta tem a chave. Quando um recurso como a busca por vídeo precisa ser usado, a empresa recebe a chave virtual por um tempo limitado, somente com a aprovação do cliente. Terminada a operação, a chave é descartada, segundo a Ring.
Na prática, a mudança reforça em termos técnicos uma promessa que já fazia parte da política da marca: nenhum terceiro, incluindo a polícia e a própria Amazon, empresa dona da Ring, deve conseguir assistir às gravações sem autorização do usuário. A nova criptografia torna essa garantia mais concreta no nível de infraestrutura.
End-to-end, mas diferente
A Ring diz que o TAKE oferece proteção parecida com a criptografia de ponta a ponta, aquela em que os dados são embaralhados entre dois pontos confiáveis e ninguém de fora consegue lê-los. A empresa, porém, afirma que a tecnologia nova se adapta melhor às configurações com vários dispositivos e vários usuários, comuns entre seus clientes.
“As pessoas sempre vão ter perguntas sobre como você armazena e como protege as imagens”, disse Jamie Siminoff, fundador da Ring, à CNN. “Como empresa, acho que fizemos um bom trabalho, mas é a forma concreta de dar confiança, de mostrar isso, e não apenas de falar.”
Contexto de desconfiança
A novidade chega em meio a um histórico de desconfiança sobre o relacionamento da marca com as forças de segurança. A empresa enfrentou críticas no início do ano depois de um anúncio exibido no Super Bowl, em que a busca por um cachorro perdido levantou temores de vigilância. Semanas depois, a Ring cancelou uma parceria com a empresa de reconhecimento de placas Flock.
A privacidade em aparelhos conectados é tema cada vez mais sensível. Discussões semelhantes envolvem outros produtos que captam dados do cotidiano, como os óculos de IA da Meta que facilitam a exposição de mulheres, segundo um estudo. No caso da Ring, o compartilhamento voluntário com a polícia continua possível: quem quiser pode enviar gravações pela rede Neighbors, da própria marca, quando solicitado pelas autoridades.
Ainda assim, a mudança responde a uma cobrança do mercado. Com mais dispositivos conectados nas casas, como roteadores e serviços de internet, garantir o controle do dono sobre os próprios dados virou exigência básica. A Ring aposta que a promessa feita por padrão, sem exigir ação do cliente, seja o diferencial dessa nova fase.
