O Google passou a permitir que lojas de aplicativos concorrentes sejam baixadas diretamente pela Play Store nos Estados Unidos, a partir desta semana. A mudança é resultado de uma ordem judicial do caso antitruste movido pela Epic Games, desenvolvedora do Fortnite, e marca a primeira vez que uma plataforma mobile é obrigada a hospedar rivais dentro de sua própria loja. A Aptoide Games é a primeira loja concorrente a aparecer na Play Store.
Como funciona o novo programa
O Play Catalog Access Program permite que lojas de terceiros inscritas tenham acesso ao catálogo de aplicativos da Play Store, incluindo nomes, ícones, descrições e capturas de tela. Quando um usuário encontra um app por meio de uma loja rival e toca em instalar, o download é executado pela infraestrutura do Google Play, que também realiza a verificação de segurança via Play Protect e cobra sua taxa de serviço habitual.
Em outras palavras, as lojas concorrentes funcionam como superfícies de descoberta — competem pela atenção do usuário na interface, mas não controlam o mecanismo de entrega, a verificação de vírus nem as tarifas. O Google mantém o controle total do pipeline de instalação.
Origem da mudança: caso Epic Games vs. Google
A obrigação vem de uma decisão de outubro de 2024, quando o juiz James Donato emitiu uma ordem permanente exigindo que o Google permitisse lojas rivais no Android. Em julho de 2025, o nono circuito confirmou por unanimidade o veredito do júri e a injunção. Tanto o Google quanto a Epic tentaram chegar a um acordo que suavizasse os termos, mas o juiz nomeou uma economista do MIT como expert independente para avaliar se a proposta servia ao interesse público.
Em 12 de julho de 2026, a expert declarou que o acordo proposto poderia eliminar disposições competitivas essenciais. Três dias depois, as duas empresas retiraram conjuntamente a proposta de modificação, aceitando a injunção original. O Google confirmou que启动aria os remédios em 22 de julho.
O que muda para o consumidor
Antes desta mudança, instalar uma loja alternativa exigia o processo de “sideloading” — habilitar “instalar de fontes desconhecidas” nas configurações, baixar o APK de uma fonte externa e instalar manualmente. Esse processo, desencorajado pelos próprios alertas de segurança do Android, mantinha as lojas rivais praticamente invisíveis para a maioria dos usuários.
Com o novo programa, o consumidor pode encontrar e baixar lojas concorrentes da mesma forma que baixa qualquer outro aplicativo. A competição agora se dá pela interface, curadoria e experiência do usuário, não pela infraestrutura de entrega.
Repercussão no Brasil e no mundo
A mudança já está sendo discutida por reguladores em outros países. Na União Europeia, a Digital Markets Act já obriga plataformas a permitirem lojas de terceiros e sistemas de pagamento alternativos. Reino Unido e Índia também têm avaliado o monopólio do Google sobre a distribuição de apps Android.
Para os desenvolvedores, a principal consequência é que seus aplicativos são automaticamente compartilhados com lojas inscritas, a menos que optem pelo “opt-out” no Google Play Console. As lojas rivais pagam US$ 5.000 de taxa de adesão e US$ 5.000 anuais ao Google, e precisam manter a taxa de malware abaixo de 1% das tentativas de instalação.
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