Anomalias encontradas em peixes capturados no Espírito Santo podem ter sido causadas pelo desastre de Mariana, de acordo com estudo publicado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). A pesquisa, que analisou amostras de peixes coletadas em rios da região metropolitana de Vitória, identificou deformidades esqueléticas e alterações genéticas que podem estar relacionadas à contaminação por rejeitos de mineração.
O que foi o desastre de Mariana?
O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015, foi o maior desastre ambiental da história do Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o rompimento liberou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração de ferro no Rio Doce, que desaguou no Oceano Atlântico. O desastre afetou dezenas de municípios ao longo de 668 km de rios, causando mortes, desabrigados e danos ambientais incalculáveis.
Mais de uma década depois, os efeitos do desastre ainda são sentidos nos ecossistemas aquáticos. Pesquisadores apontam que os rejeitos contêm metais pesados como mercúrio, chumbo e cádmio, que podem se acumular nos tecidos dos peixes e causar anomalias ao longo de gerações.
As anomalias encontradas
O estudo da UFES analisou 200 peixes de 15 espécies diferentes capturados em rios da região de Vitória. Dos exemplares analisados, 35% apresentaram deformidades esqueléticas, como colunas curvadas e nadadeiras assimétricas. Além disso, 20% dos peixes tinham alterações genéticas que podem afetar sua capacidade de reprodução. Segundo os pesquisadores, essas anomalias são incompatíveis com condições normais e sugerem exposição a contaminantes.
Os cientistas também encontraram concentrações elevadas de metais pesados nos tecidos dos peixes, especialmente nos fígados e músculos. A presença de mercúrio, em particular, é preocupante, pois o metal pode se acumular na cadeia alimentar e causar danos à saúde de quem consome os peixes.
Impacto para a população
As descobertas do estudo levantam preocupações sobre a segurança alimentar na região. Muitas comunidades ribeirinhas dependem da pesca para subsistência, e a contaminação dos peixes pode representar risco à saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, a ingestão de peixes contaminados por metais pesados pode causar problemas neurológicos, renais e respiratórios.
Os pesquisadores da UFES recomendam que a população evite consumir peixes provenientes de áreas afetadas pelo desastre até que novos estudos confirmem a segurança alimentar. O caso reforça a necessidade de monitoramento ambiental contínuo e de políticas públicas que protejam as comunidades ribeirinhas. A tragédia de Mariana serve como lembrete de que os impactos ambientais de grandes desastres podem perdurar por décadas, afetando não apenas o meio ambiente, mas também a saúde e a subsistência de milhões de pessoas.
