Operadoras de satélites enfrentam uma crise crescente de disponibilidade de lançamentos orbitais, mesmo em meio ao maior período de atividade da indústria espacial da história. Nos últimos três anos, uma média de 270 foguetes foram lançados da Terra por ano, mais de três vezes o número de uma década atrás. Ainda assim, a demanda por espaço em órbita supera a oferta disponível, criando o que especialistas chamam de “panico na indústria”, de acordo com apuração do Ars Technica.
O gargalo é a SpaceX
O principal fator por trás da escassez é a própria SpaceX. A empresa de Elon Musk domina o mercado de lançamentos com o Falcon 9, mas sinalizou que pretende encerrar as operações comerciais do foguete o mais rápido possível em favor do Starship, de maior capacidade. Segundo documentos financeiros, a SpaceX já reservou 79% dos voos do Falcon 9 para seus próprios satélites Starlink, ante 54% em 2020, conforme análise da Reuters.
Fontes do setor disseram à Reuters que pelo menos sete empresas de satélites foram informadas de que o Falcon 9 está totalmente reservado até 2028 ou 2029. A empresa também parou de aceitar reservas para missões rideshare além de final de 2028, citando capacidade esgotada, apontou o SpaceQ.
Impacto para operadoras
A AST SpaceMobile, que implanta constelação de banda larga direta para dispositivos móveis, teve o início do serviço comercial adiado de três a seis meses devido à explosão do foguete New Glenn da Blue Origin em maio. A HawkEye 360 e a Spire Global informaram em chamadas de resultados que possuem lançamentos reservados até 2028, mas reconhecem incerteza além desse período.
Preços de lançamento também subiram, de cerca de US$ 54 milhões por Falcon 9 em 2013 para aproximadamente US$ 74 milhões hoje. Enquanto isso, alternativas como o Neutron da Rocket Lab e o Vulcan da ULA enfrentam atrasos e limitações técnicas. Devon Papandrew, vice-presidente da Stoke Space, avalia que a crise pode piorar nos próximos dois a quatro anos antes de estabilizar.
Perspectivas para o mercado
O setor projeta demanda para milhares de lançamentos anuais em menos de uma década, de acordo com a Commercial Space Federation. Analysys Mason prevê que mais de 37 mil satélites precisarão ser lançados entre 2023 e 2033. Para atender essa demanda, especialistas apontam a necessidade de mais bases de lançamento e acordos de segurança tecnológica com outros países, como Japão.
A situação evidencia a dependência do mercado espacial ocidental em relação a um único fornecedor que é, ao mesmo tempo, seu maior concorrente. A resolução dessa equação definirá o ritmo de expansão da conectividade global nos próximos anos.
Veja também como a SpaceX concluiu o primeiro teste estático do Starship Super Heavy e como a empresa lançou mais 24 satélites Starlink da costa oeste dos EUA.
