A NASA encontrou uma forma inteligente de estender a vida útil do Voyager 2, a sonda espacial que viaja pelo espaço profundo há quase 50 anos. Engenheiros do Jet Propulsion Laboratory (JPL) realizaram uma operação apelidada de “Big Bang” para reduzir o consumo de energia do aparelho e comprar pelo menos mais um ano de missão científica.
O problema da energia
O Voyager 2 e seu gêmeo, o Voyager 1, funcionam com geradores termoelétricos por radioisótopo, que produzem eletricidade a partir do calor liberado pelo decaimento de plutônio. À medida que o plutônio decai, a potência disponível diminui cerca de 4 watts por ano. Depois de quase cinco décadas no espaço, essa redução gradual deixou as sondas com pouca energia de reserva.
Desde 2024, a equipe de missão já precisou desligar dois instrumentos científicos em cada Voyager para conservar energia. Sem a operação “Big Bang”, seria necessário desligar mais um instrumento antes do final de 2026.
A solução engenhosa
A operação exigiu que a equipe desligasse simultaneamente dispositivos que consomem muita energia e os substituísse por alternativas que exigem menos eletricidade. Os engenheiros também precisaram garantir que o Voyager 2 permanecesse aquecido o suficiente para que seus sistemas continuassem funcionando.
“Graças à energia economizada com essa troca, os três instrumentos restantes do Voyager 2 poderão continuar operando por pelo menos mais um ano”, explicou a equipe do JPL. A mesma operação será replicada no Voyager 1, que está mais distante da Terra, nos próximos meses.
Relevância científica
O Voyager 2 é o único objeto humano que já visitou os quatro gigantes gasosos do sistema solar — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno — e continua enviando dados do espaço interestelar. A missão, que começou em 1977, já superou todas as expectativas de duração e continua contribuindo para a ciência, conforme abordamos aqui no Casa do Barreado em matérias sobre exploração espacial.
A capacidade de manter funcionando uma tecnologia dos anos 1970 no ambiente hostil do espaço interestelar é um testemunho da engenharia da NASA e da importância de missões de longa duração para o conhecimento humano. O sucesso da operação “Big Bang” mostra que, mesmo com recursos extremamente limitados, soluções criativas podem estender a vida de equipamentos que complementam descobertas feitas por telescópios modernos como o James Webb.
Com mais de 48 anos de operação contínua, o Voyager 2 continua sendo uma das missões mais produtivas da história da exploração espacial, enviando dados que ajudam os cientistas a entender o espaço entre as estrelas.
