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NASA anuncia primeira espaçonave com propulsão nuclear elétrica para Marte

NASA Space Reactor 1 Freedom propulsão nuclear elétrica Marte

A NASA anunciou planos de lançar em dezembro de 2028 a primeira espaçonave movida a propulsão nuclear elétrica para Marte, batizada de Space Reactor 1 (SR-1) Freedom. A missão usará um reator de fissão para gerar eletricidade e abastecer propulsores elétricos, marcando a primeira demonstração desse tipo de tecnologia além da órbita da Terra e fechando um intervalo de 60 anos sem voos espaciais de fissão da agência americana.

O anúncio foi feito durante o evento Ignition, em março, e detalhado em apresentações recentes da agência. O reator, desenvolvido pela NASA em parceria com o Departamento de Energia, gerará cerca de 20 quilowatts de energia elétrica usando urânio levemente enriquecido de alto teor (HALEU). A espaçonave aproveitará o módulo de propulsão PPE, originalmente construído para a estação Gateway, adaptado para se tornar o sistema de propulsão da missão.

Como funciona a propulsão nuclear elétrica

Diferentemente da propulsão química convencional, o sistema nuclear elétrico usa um reator de fissão para gerar eletricidade, que alimenta propulsores iônicos. Essa configuração é muito mais eficiente no consumo de combustível: a espaçonave acelera por longos períodos com uma fração do propulsor que um foguete químico precisaria, o que permite carregar mais equipamentos científicos e reduzir o tempo de viagem a destinos como Marte.

A NASA estuda há décadas duas abordagens de propulsão nuclear. A térmica, que aquece hidrogênio para gerar impulso, foi abandonada depois que a DARPA cancelou o projeto DRACO em 2025. A elétrica, escolhida para o SR-1 Freedom, é considerada a mais promissora por aliar eficiência energética e menor risco de desenvolvimento.

O que o SR-1 Freedom vai fazer em Marte

Além de demonstrar a propulsão nuclear em voo, a missão levará até o Planeta Vermelho a carga útil SkyFall, composta por três helicópteros derivados do projeto Ingenuity. Segundo a NASA, os drones devem mapear o gelo subterrâneo e identificar potenciais fontes de água — dados essenciais para futuras missões tripuladas.

A agência destaca que o SR-1 Freedom é o primeiro passo de uma sequência deliberada: a tecnologia deve ser reaproveitada no Lunar Reactor 1 (LR-1), um reator para gerar energia na superfície da Lua previsto para 2030, e evoluir depois para sistemas capazes de produzir centenas de quilowatts a megawatts — escala necessária para sustentar uma base permanente e missões humanas a Marte.

Desafios do cronograma acelerado

O prazo de dois anos e meio para o lançamento é ambicioso até para os padrões da agência. Em junho, a NASA disse que está trabalhando em um modelo de gestão enxuto para o projeto, mantendo os requisitos formais, mas adaptando processos para acelerar o desenvolvimento. O reator aproveitará projetos já existentes de reatores de pesquisa do Departamento de Energia, e a espaçonave usará o PPE do Gateway, o que reduz custos e tempo.

Membros de conselhos acadêmicos que acompanham a agência demonstraram ceticismo com a velocidade do cronograma, comparando-o ao desenvolvimento de um pequeno satélite. A primeira revisão de projeto está prevista para o outono americano. Os detalhes técnicos e a linha do tempo foram divulgados pela NASA em sua página oficial da missão Space Reactor-1 Freedom.

A missão se soma à nova fase de exploração robótica do Planeta Vermelho, que inclui os helicópteros SkyFall que mapearão o gelo subterrâneo e os recordes de direção autônoma do rover Perseverance.

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