Modelos de computador identificaram novos catalisadores capazes de produzir amônia sem depender do combustível fóssil usado hoje no processo industrial. A pesquisa, divulgada por cientistas, aponta um caminho para reduzir as emissões de carbono de um setor responsável por boa parte do nitrogênio usado em fertilizantes em todo o mundo.
O problema da amônia suja
A amônia é essencial para a agricultura, pois dela saem os fertilizantes nitrogenados que ajudam a alimentar bilhões de pessoas. Porém, o jeito atual de produzi-la consome muita energia e usa gás natural como matéria-prima, o que gera uma pegada de carbono enorme.
Conforme o estudo, grande parte dessas emissões pode ser evitada se a reação acontecer de outro jeito, com menos calor e com ingredientes mais limpos. O desafio é encontrar o material certo para acelerar essa reação alternativa, tarefa que os catalisadores cumprem ao permitir transformações químicas com menos gasto de energia.
Como os modelos encontraram os candidatos
Testar novos catalisadores em laboratório é lento e caro, porque existem milhares de combinações possíveis de materiais. Os pesquisadores usaram modelos de computador para simular o comportamento desses compostos em grande escala, descartando os menos promissores antes de qualquer experimento real.
A técnica permitiu listar dezenas de candidatos com boa chance de funcionar, poupando tempo e verba. É o mesmo raciocínio usado em outras frentes da ciência, como na simulação do clima e no estudo de fenômenos ainda pouco compreendidos, a exemplo da busca por fótons escuros ligados à matéria escura.
Impacto na agricultura e no clima
Se os catalisadores funcionarem em escala industrial, a produção de fertilizantes pode ficar muito menos poluente, ajudando a conter o avanço do aquecimento global. O ganho é duplo: alimentos mais baratos e pressão menor sobre o clima, um tema que especialistas consideram urgente diante do risco de pontos de não retorno no derretimento do permafrost.
O Brasil está no centro dessa equação. Por ser um dos maiores produtores agrícolas do mundo, o país importa uma parcela grande dos fertilizantes que usa, e qualquer tecnologia que barateie a produção nacional de amônia pode reduzir custos e diminuir a dependência externa do setor.
Ainda há um caminho longo entre a simulação e a fábrica, mas o estudo mostra que a inteligência computacional já é capaz de acelerar descobertas que antes levavam décadas. Para o agronegócio brasileiro, dono de um dos maiores mercados de fertilizantes do mundo, qualquer avanço nessa área tem impacto direto no bolso do produtor.
