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Medicamento aprovado pela FDA mostra promessa em reverter danos da osteoartrite

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Pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, identificaram que o lacosamida, um medicamento aprovado pela FDA (agência reguladora americana) para tratamento de epilepsia, apresenta potencial para reverter danos causados pela osteoartrite. O estudo, publicado na revista Bioactive Materials em fevereiro de 2026, mostrou que a substância não apenas alivia a dor nas articulações, mas também estimula a reparação da cartilagem danificada — algo que nenhum medicamento atual consegue fazer de forma simultânea.

A osteoartrite atinge milhões de pessoas no mundo e é caracterizada pela degradação progressiva da cartilagem que protege as articulações. Tratamentos convencionais, como analgésicos de venda livre e injeções de esteroides, oferecem alívio temporário da dor, mas não freiam o processo de destruição do tecido cartilaginoso. A pesquisa da Yale abre caminho para uma abordagem inédita que ataca a doença em dois frentes.

Proteína Nav1.7: alvo duplo para dor e reparo

O segredo da descoberta está na proteína Nav1.7, que forma canais de sódio nas membranas celulares. Esses canais atuam como pequenas comportas que permitem às células transmitir sinais elétricos. Embora cientistas acreditassem que a Nav1.7 estivesse presente principalmente nas células nervosas responsáveis por enviar sinais de dor ao cérebro, a equipe da Yale descobriu que a mesma proteína também está altamente ativa nos condrócitos — as células responsáveis por manter a cartilagem saudável.

Em articulações saudáveis, a Nav1.7 permanece relativamente inativa. Porém, na osteoartrite, ela se torna hiperativa. Esse aumento não apenas amplifica os sinais de dor, mas também impulsiona os condrócitos a degradar a cartilagem que deveriam preservar. A descoberta identifica a Nav1.7 como um alvo único que afeta tanto a dor quanto a saúde da cartilagem.

Entrega inteligente via hidrogel

Embora o lacosamida oral tenha apresentado bons resultados em estudos pré-clínicos, a substância circula por todo o corpo, aumentando o risco de efeitos colaterais indesejáveis. Para manter o tratamento focado na articulação afetada, os pesquisadores desenvolveram um hidrogel termoresponsivo à base de Colágeno II. O material permanece líquido dentro de uma seringa fria, mas se transforma em um gel firme ao atingir a temperatura corporal.

Uma vez injetado no joelho — local mais comum de ocorrência da osteoartrite — o hidrogel libera o medicamento gradualmente ao longo de várias semanas, mantendo-o concentrado dentro da articulação. Em estudos pré-clínicos, uma única injeção do hidrogel com lacosamida a cada quatro semanas superou a dose oral diária na prevenção da perda de cartilagem.

Caminho mais rápido para ensaios clínicos

Como o lacosamida já é aprovado para uso humano, pesquisadores acreditam que o medicamento pode chegar a ensaios clínicos para osteoartrite muito mais rápido do que uma substância totalmente nova. A pesquisa também reflete uma tendência crescente na medicina que combina terapia medicamentosa com biomateriais avançados para melhorar a eficácia dos tratamentos.

Para os pacientes, isso poderia significar menos procedimentos invasivos, menos efeitos colaterais e proteção mais duradoura contra danos nas articulações — um avanço significativo no combate a uma condição que afeta a qualidade de vida de milhões de brasileiros.

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