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Astrônomos detectam laser cósmico recorde a 8 bilhões de anos-luz

Astrônomos detectam laser cósmico recorde a 8 bilhões de anos-luz

Usando o radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, astrônomos identificaram o megamaser de hidroxila mais distante já observado, a mais de 8 bilhões de anos-luz da Terra. O registro, publicado pelo site ScienceDaily, abre um novo caminho para estudar o início do universo.

O que é um laser cósmico

Um megamaser é um laser natural que ocorre no espaço, formado quando moléculas de certos gases amplificam ondas de rádio. No caso do novo achado, as emissões vêm de uma galáxia em processo violento de fusão com outra.

A distância recorde é o que torna a descoberta especial. Como a luz leva tempo para viajar, ver essa galáxia agora é vê-la como ela era há 8 bilhões de anos, quando o universo tinha menos da metade da idade atual, de cerca de 13,8 bilhões de anos.

“Estamos vendo uma versão muito jovem do cosmos”, explicam os pesquisadores Thato Manamela, da Universidade de Pretória, e Roger Deane, diretor do instituto internacional que coordena a astronomia intensiva em dados.

Como o sinal foi captado

Em apenas cinco horas de observação, a equipe encontrou um sinal que normalmente exigiria centenas de horas por causa da distância e da raridade. A descoberta aconteceu por acaso, enquanto os cientistas procuravam hidrogênio neutro, algo comum entre as moléculas observadas no espaço profundo.

Dois fatores ajudaram na identificação. De um lado, a ampla largura de banda do MeerKAT permitiu captar o sinal da galáxia e o hidrogênio numa única observação. De outro, o fenômeno da lente gravitacional, em que um objeto massivo em primeiro plano amplia a luz de uma fonte distante, funcionou como uma lupa natural.

O processamento dos dados também dependeu de computação de alto desempenho. O MeerKAT coleta gigabytes de informação por segundo, e os pesquisadores usaram máquinas potentes para separar um sinal milhões de vezes mais fraco que o de um celular.

O que isso significa para a ciência

Megamasers costumam estar associados à fusão de galáxias, processos que podem abrigar pares de buracos negros supermassivos girando em direção um ao outro.

Encontrar esses sistemas ajuda a entender os estágios finais de como os maiores objetos do universo são formados e a prever ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo que poderão ser captadas pelos detectores da próxima geração.

A rapidez da detecção mostra que telescópios futuros, como o Square Kilometre Array (SKA), poderão encontrar muitos outros objetos extremos e distantes. O Brasil acompanha de perto esse tipo de avanço, que reforça a importância da radioastronomia para decifrar o cosmos.

Descobertas como essa se somam a outras grandes perguntas da astronomia, como o mistério de planetas gigantes que intrigam os cientistas. Estudar essa versão jovem do universo também conecta com os esforços para recriar o estado da matéria do início do universo em laboratório.

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