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FDA libera primeira opção sem medicamento para tratamento do estresse pós-traumático

Tratamento sem medicamento para estresse pos-traumatico aprovado pela FDA

A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos liberou pela primeira vez um tratamento sem remédio específico para o transtorno de estresse pós-traumático, conhecido como PTSD. O sistema usa dados da atividade cerebral para personalizar a estimulação magnética, o que pode abrir caminho para um cuidado mais preciso na área de saúde mental.

Como funciona o novo tratamento

A tecnologia, batizada de Magnetic e-Resonance Therapy, ou MeRT, combina um eletroencefalograma, que mede a atividade elétrica do cérebro, com a estimulação magnética transcraniana. Nesse tipo de procedimento, uma bobina encostada no couro cabeludo aplica pulsos magnéticos que ajudam a ajustar o funcionamento de regiões cerebrais envolvidas na doença.

O grande diferencial está na personalização. Enquanto a estimulação magnética tradicional usa um protocolo padronizado, a MeRT adapta o tratamento ao padrão de atividade do cérebro de cada paciente. O sistema foi desenvolvido pela empresa californiana Wave Neuroscience em parceria com pesquisadores do Texas A&M Health.

Resposta promissora nos testes

A aprovação veio após um caminho acelerado de revisão. Em 2024, a tecnologia recebeu a designação de avanço inovador da FDA, que abre a porta para análises mais rápidas. Segundo a empresa, os resultados preliminares do estudo clínico mostraram uma redução de 52% nos sintomas, com uma taxa de remissão de 68% entre os participantes.

“Se compararmos com outros estudos, nosso ensaio clínico da FDA reportou uma redução de 52% dos sintomas, mais de quatro vezes a eficácia observada antes”, afirmou Erik Won, diretor médico da Wave Neuroscience. Para ele, trata-se de um salto naquilo que se pode oferecer aos pacientes.

Um problema de saúde pública

O PTSD pode surgir depois de situações que vão além do estresse comum, como combate, acidentes, desastres naturais ou violência. Nos Estados Unidos, cerca de 6% das pessoas desenvolvem o transtorno em algum momento da vida, com taxas ainda maiores entre mulheres e veteranos de guerra.

Até hoje, os tratamentos disponíveis eram basicamente as psicoterapias e os remédios da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina. Para o médico Israel Liberzon, que liderou a equipe de psiquiatria do estudo, a chegada de uma opção não medicamentosa é uma novidade relevante. “É a primeira vez que, além do medicamento, temos uma alternativa sem remédio”, destacou.

Mudança de paradigma no cuidado mental

Para os especialistas, o grande impacto dessa liberação é dar aos pacientes uma ferramenta que não depende de remédios nem exige a participação ativa de longas sessões de psicoterapia. Muitas pessoas abandonam a terapia por considerar o processo difícil demais. Uma opção não medicamentosa pode ser uma alternativa mais acessível.

“A liberação da FDA sinaliza um futuro fundamentalmente diferente, em que o PTSD pode ser avaliado de forma objetiva, tratado com precisão e curado de forma significativa”, afirmou Won. Além disso, os pesquisadores acreditam que a abordagem pode reduzir o estigma ligado ao tratamento de saúde mental, aproximando-o do atendimento dado a outros problemas físicos.

No estudo clínico, os participantes fizeram cinco sessões por semana durante cinco a seis semanas, e os efeitos positivos continuaram aparecendo depois do fim do tratamento. Essa persistência é vista como um ponto forte da técnica.

O que esperar daqui para frente

Com a liberação da FDA, provedores de saúde já podem começar a adotar o novo tratamento, e a empresa espera ampliar o acesso por meio de convênios e planos de saúde. Os pesquisadores ainda pretendem avaliar se a técnica pode ajudar em outros quadros, como depressão e ansiedade.

A novidade reforça uma tendência da medicina de usar dados objetivos para tornar o tratamento de saúde mental mais preciso. Quem acompanha o tema pode conferir também como exames de sangue baratos estão mudando o diagnóstico de doenças e por que os órgãos do corpo humano envelhecem em ritmos diferentes.

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