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Engenheiro suspeito de aplicar golpe de placas solares em mais de 30 pessoas é preso em SP

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Um engenheiro eletricista suspeito de aplicar golpes em mais de 30 pessoas no Piauí, prometendo a instalação de placas solares e recebendo pagamentos sem executar os serviços, foi preso na quarta-feira (12) em São Paulo. De acordo com a Polícia Civil do Piauí, o investigado chegou a movimentar cerca de R$ 2 milhões em um único mês.

O esquema do golpe

O engenheiro, identificado como Heitor Santana, firmava contratos com clientes interessados na instalação de sistemas de energia solar, recebia os valores e não realizava os serviços. Segundo o delegado Adalberto Paulo Júnior, da 2ª Delegacia Seccional de Teresina, os sistemas policiais registram mais de 30 boletins de ocorrência e nove inquéritos policiais contra o investigado.

Uma das vítimas, Ana Isabel, moradora da Zona Sul de Teresina, contratou o suspeito em dezembro de 2025. Ela pagou R$ 10 mil pela instalação de 12 placas solares, mas o serviço nunca foi realizado. “Depois desses 15 dias, eu liguei pra ele e ele me disse que estava com problemas, mas que iria fazer a instalação. Depois liguei novamente e ele disse que estava doente”, relatou ao G1.

Prejuízo estimado

O mandado de prisão preventiva e de busca foi cumprido em uma residência em São Paulo, onde o engenheiro estaria fazendo doutorado em uma universidade paulista. Durante depoimento por videochamada prestado durante a investigação, ele informou ter movimentado cerca de R$ 2 milhões em um mês.

Os valores dos contratos variavam de R$ 6 mil até R$ 200 mil. Para algumas vítimas, Heitor se apresentou como professor da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), utilizava sua formação e o título de doutorando na USP para transmitir credibilidade, e até acompanhava pessoalmente clientes até agências bancárias para garantir a transferência dos valores.

O prejuízo total já ultrapassava R$ 800 mil em contagens anteriores, mas o delegado informou que ainda não é possível precisar o prejuízo total causado pelos golpes.

Defesa alega crise setorial

O escritório utilizado pelo engenheiro em Teresina foi desativado. A defesa afirmou à coluna do Metrópoles que a empresa enfrenta uma crise financeira, atribuída ao cenário do setor de energia solar. Segundo a defesa, em 2025 o setor registrou queda de 40% nas instalações, devido à alta de juros, escassez de componentes importados e redução de incentivos fiscais.

A defesa informou que a empresa ingressou com pedido de recuperação judicial na Justiça de Teresina. “Nunca houve intenção de descumprir contratos. Todos os serviços foram iniciados com boa-fé; atrasos decorrem exclusivamente da crise setorial”, diz o posicionamento.

Consequências legais

Heitor Santana vai responder por crime de estelionato, com pena prevista de 1 a 5 anos de reclusão mais multa, ou de 4 a 8 anos em caso de continuidade delitiva. O caso chama a atenção para a importância de verificar a credibilidade de profissionais antes de contratar serviços de energia solar, um setor que tem crescido rapidamente no Brasil.

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