Empregos em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo em ritmo mais acelerado fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério das Comunicações. Entre 2023 e 2025, o Norte registrou alta de 5,4% no número de vínculos formais, seguido pelo Nordeste (3,8%) e Centro-Oeste (3,2%), todas as taxas acima do Sudeste (2%) e Sul (3,1%). Apesar da expansão regional, o Sudeste ainda concentra 62,5% dos empregos de TIC do país, com 588.943 trabalhadores e salário médio de R$ 6.802.
Quais regiões mais cresceram
O Norte, apesar de ter o menor contingente com 36.079 empregos e a menor remuneração média (R$ 2.715), apresentou o maior crescimento proporcional. O Nordeste soma 89.643 postos com salário médio de R$ 3.950, enquanto o Centro-Oeste tem 62.782 trabalhadores e remuneração média de R$ 4.855. No Distrito Federal, a média sobe para R$ 6.622, segundo apurou o G1.
O levantamento também revelou que cinco cidades nordestinas estão entre as dez que mais geraram empregos formais em 2025. A região respondeu por 27,2% de todos os novos postos, com crescimento de 4,38% — quase o dobro do Sudeste (2,10%). Paraíba cresceu 6,03% e Piauí 5,81%, conforme dados do CAGED consolidado.
Salários de até R$ 40 mil
A remuneração média de diretor de serviços de informática, a ocupação mais bem paga do setor, chega a R$ 40.543 por mês, praticamente o dobro dos R$ 20.986 pagos a gerentes de segurança de TI. Arquitetos de soluções de tecnologia ganham em média R$ 14.908, enquanto pesquisadores em ciências da computação recebem R$ 14.436. Analista de desenvolvimento de sistemas é a função com mais empregos, com cerca de 252 mil postos, segundo apontou o portal G1.
Um estudo da Inteli e WKS revelou déficit de 30,2% de profissionais de tecnologia no país. Entre 2019 e 2024, a demanda chegou a 665 mil profissionais, enquanto a oferta ficou em 464 mil. Para Lucas Niemeyer, coordenador de pesquisa da Inteli, a concentração de vagas dentro do Sudeste, particularmente São Paulo, ainda é avassaladora, mas o mercado está se redistribuindo.
Impacto no consumidor brasileiro
Com cerca de 943 mil trabalhadores CLT em ocupações de TIC no Brasil, o setor representa 6,5% do PIB brasileiro. A ABES projeta crescimento de 9,5% para o mercado de TI no país, acima da média global. Engenheiro de IA é o cargo de maior crescimento, com salários entre R$ 18 mil e R$ 30 mil mensais, de acordo com o ranking LinkedIn Empregos em Alta 2026.
Florianópolis consolidou-se como a capital nacional das startups, com tecnologia representando 25% do PIB local e mais de 600 empresas do setor. A previsão é de 50 mil novas vagas em TI até 2027 na cidade, segundo projeto divulgado pelo ND Mais. O crescimento ecoa a tendência de grandes investimentos industriais em novas regiões, como o plano de Musk de construir a maior instalação industrial do mundo no Texas.
A expansão do setor reflete a maior conectividade e digitalização das empresas brasileiras. Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, quando a infraestrutura de comunicação avança, ela leva desenvolvimento, empregos e inovação em todas as regiões do país.
Apesar do avanço, São Paulo sozinho ainda concentra 44,7% dos empregos formais em TIC, com 420.996 trabalhadores e salário médio de R$ 7.321. Minas Gerais aparece na segunda colocação com 83.854 empregos, seguido pelo Rio de Janeiro com 71.277 postos.
Para quem busca uma carreira em tecnologia, os dados mostram que o mercado está se diversificando geograficamente, com oportunidades crescentes fora dos grandes centros tradicionais. A combinação de déficit de profissionais e alta demanda sugere que o setor continuará aquecido nos próximos anos em todas as regiões do Brasil.
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