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Malhar não impede o dano de ficar sentado por horas nas artérias, diz estudo

Efeitos de ficar muito tempo sentado nas arterias estudo

Ficar muito tempo sentado faz mal para as artérias das pernas, e malhar não é garantia de proteção. É o que aponta um estudo da Universidade Dalhousie, no Canadá, publicado no European Journal of Applied Physiology. Os pesquisadores descobriram que mesmo quem fez meses de treino intenso continuou sofrendo os efeitos das longas horas na cadeira.

O experimento com 21 voluntários

Para testar se o ganho de condicionamento físico protege os vasos sanguíneos, a equipe acompanhou 21 adultos jovens saudáveis. Onze deles participaram de um programa de treinamento intervalado de alta intensidade por 12 semanas, enquanto os outros dez mantiveram o nível normal de atividade.

Antes e depois do período de treino, os participantes fizeram uma prova de ciclismo para medir o condicionamento aeróbico. Usando ultrassom, os cientistas também avaliaram a saúde da artéria poplítea — o vaso que fica atrás do joelho e leva sangue para a parte de baixo da perna — após cada pessoa ficar sentada por cerca de duas horas seguidas.

Malhar não anulou o dano

O treinamento melhorou a capacidade aeróbica dos voluntários. Mas, mesmo assim, as duas horas de permanência na cadeira continuaram prejudicando os marcadores de saúde da artéria poplítea. A capacidade do vaso de relaxar e dilatar foi afetada exatamente como antes do treino. O mesmo dano apareceu no grupo de controle, que não treinou.

“Muita gente acha que o exercício compensa um dia inteiro sentado”, disse Derek Kimmerly, professor de Cinesiologia e autor sênior do estudo. “Mas nossos achados sugerem que uma boa condição física, por si só, pode não proteger os vasos sanguíneos.”

Desmentindo a ideia de que o treino resolve tudo

Os resultados não querem dizer que o exercício é inútil. A atividade física segue essencial para a saúde do coração. A mensagem é outra: sentar por longos períodos sem parar continua afetando o funcionamento dos vasos das pernas, mesmo em quem se exercita com regularidade.

A dica dos pesquisadores é simples e prática: levantar e se movimentar em intervalos regulares. Quebrar o tempo na frente do computador, dando uma caminhada ou alongando, pode ser tão importante quanto a rotina de treino quando o assunto são as artérias das pernas.

Por que a artéria atrás do joelho importa

A artéria poplítea está entre as principais do corpo, responsável por levar sangue rico em oxigênio a boa parte da perna e do pé. Quando ela perde a capacidade de relaxar e se dilatar, o fluxo sanguíneo piora, o que pode contribuir com o desgaste cardiovascular ao longo dos anos. Por isso, os pesquisadores escolheram esse vaso como termômetro do efeito do sedentarismo.

A escolha também tem a ver com a posição de quem está sentado: dobrar o joelho por horas reduz o espaço na região, o que pode aumentar a pressão e perda de função no local. É um teste realista para o dia a dia de quem trabalha em escritório.

O exercício continua indispensável

Os autores são enfáticos ao dizer que ninguém deve abandonar a academia por causa da pesquisa. O treino intervalado de alta intensidade trouxe ganhos reais de condicionamento para os 11 voluntários do grupo ativo. O problema é que esses ganhos, isoladamente, não foram capazes de eliminar o efeito negativo de duas horas seguidas sentado sobre a saúde vascular das pernas.

A conclusão reforça um ponto que vem ganhando força na medicina: combater o sedentarismo total em um dia de trabalho é diferente de ter uma boa forma física. Os dois fatores agem de maneiras distintas no corpo, e o ideal é cuidar de ambos.

Pequenas pausas fazem a diferença

Na prática, a recomendação é incorporar micro-intervalos à rotina. Levantar a cada hora, trocar a cadeira por uma caminhada curta, alongar as pernas ou até mesmo trabalhar em pé por alguns minutos são atitudes simples que ajudam a reduzir o tempo contínuo de sedentarismo.

Os cientistas pretendem continuar investigando qual é a frequência ideal de pausas e em qual intensidade elas protegem os vasos. Enquanto isso, a mensagem já é clara: sentar sem parar deixa a sua marca, mesmo quando você capricha na rotina de exercícios.

Quem quiser se aprofundar pode conferir por que os cientistas desmentiram a meta dos dez mil passos por dia e como quatro minutos de treino de força podem melhorar o condicionamento físico.

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