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Novas drogas e edição genética prometem reduzir colesterol com uma única dose

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Uma nova classe de medicamentos para colesterol está prometendo revolucionar o tratamento de doenças cardíacas, a principal causa de morte no mundo. O FDA aprovou recentemente o Lipfendra (enlicitide), da Merck, o primeiro inibidor oral de PCSK9, enquanto uma terapia de edição genética mostrou resultados promissores em fase 1. Ambos atacam a mesma proteína por caminhos diferentes, mas com o mesmo objetivo: reduzir o colesterol LDL de forma duradoura.

Enlicitide: a pílula que substitui injeções

O enlicitide é um peptídeo macrocíclico que bloqueia a ligação entre PCSK9 e o receptor de LDL, mecanismo idêntico ao dos anticorpos injetáveis Praluent e Repatha — mas em forma de comprimido. Em estudo de fase 3 publicado no JACC, o medicamento reduziu o colesterol LDL em 64,6%, superando ezetimiba (-27,8%), ácido bempedoico (-6,3%) e a combinação dos dois (-36,5%).

Segundo David Thaisrivongs, diretor da Merck, a equipe levou uma década para desenvolver a molécula. “O objetivo sempre foi criar a pílula mais potente e acessível para baixar colesterol”, explicou. O desafio era produzir uma molécula grande o suficiente para competir com anticorpos, mas que pudesse ser absorvida por via oral.

Edição genética: uma dose para a vida

Ao mesmo tempo, a Eli Lilly — que adquiriu a Verve Therapeutics por US$ 1 bilhão — divulgou dados da fase 1 do VERVE-102, uma terapia de edição de bases que inativa o gene PCSK9 no fígado. Em 35 participantes, a dose mais alta reduziu o colesterol LDL em 62% e os níveis de PCSK9 em 88%. Os efeitos se mantiveram por pelo menos 18 meses.

De acordo com o New England Journal of Medicine, a terapia consiste em uma infusão intravenosa única de mRNA encapsulado em nanopartículas lipídicas. O objetivo é que as células do fígado, que se renovam a cada 200 a 300 dias, continuem produzindo a versão alterada do gene — potencialmente por toda a vida.

O problema da adesão

A importância dessas inovações está no impacto na adesão ao tratamento. Estima-se que 30% a 50% dos pacientes abandonam o uso de inibidores de PCSK9 injetáveis após um ano, taxa similar à dos comprimidos diários de estatina. Uma pílula oral ou uma única dose de edição genética poderia resolver esse problema.

O próximo passo da Eli Lilly é um estudo com cerca de 200 pessoas, incluindo pacientes com doenças cardíacas mais representativas da população geral. Enquanto isso, a terapia de edição genética continua em fase de segurança, com acompanhamento de 15 anos previsto para os participantes do estudo atual.

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