A Cloudflare liberou cerca de 100 TB de RAM na infraestrutura por trás do serviço de DNS 1.1.1.1 sem adicionar um único servidor novo. A conquista veio da otimização do software: engenheiros reescreveram parte do código em Rust e conseguiram reduzir à metade o espaço ocupado por cada registro em cache. O resultado, divulgado em um blog técnico da empresa, chamou a atenção por mostrar que ajustes inteligentes no programa podem render mais do que comprar máquinas.
O trabalho foi centrado no Big Pineapple, a plataforma de cache de DNS que sustenta o 1.1.1.1, o DNS Firewall e outros serviços da companhia. Segundo o engenheiro de sistemas Sebastiaan Neuteboom, cinco mudanças no código-fonte em Rust encolheram o tamanho típico de uma entrada de cache de 953 bytes para 420 bytes. Com isso, além de gastar menos memória, a plataforma ficou mais rápida no geral.
O que significa liberar 100 TB de RAM
Para entender a grandiosidade, vale lembrar o que é DNS: o serviço que traduz nomes de sites, como casadobarreado.com.br, em endereços numéricos que os computadores entendem. Esse tradutor guarda as respostas em memória para responder mais rápido em consultas futuras. Quanto maiores os registros, mais memória cada um ocupa.
De acordo com a Cloudflare, o Big Pineapple mantém mais de 250 bilhões de entradas de DNS em um dado momento. Em uma escala tão grande, até um único byte desperdiçado em cada registro custa caro. A companhia estima que um byte desnecessário por entrada representa mais de 250 GB de memória perdida na frota inteira de servidores.
Como a otimização foi feita
Uma das maiores economias veio de tipos de dados da linguagem Rust conhecidos como Vec e String. Essas estruturas são projetadas para crescer e, por isso, guardam também informações de capacidade além dos dados em si. Entradas de DNS, porém, não precisam aumentar depois que entram no cache. A equipe substituiu essas estruturas por versões de tamanho fixo, eliminando metadados desnecessários.
Somente essa mudança já respondeu por mais de 15 TB de memória economizados. As demais alterações refinaram a forma como os registros são organizados e compactados, sem abrir mão da velocidade de acesso.
Números que impressionam
| Métrica | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Tamanho médio da entrada de cache | 953 bytes | 420 bytes |
| Inserções por segundo | 625 mil | 893 mil |
| Latência de consulta | 828 nanossegundos | 670 nanossegundos |
| Uso de memória por instância | 9,3 GB | 5,3 GB |
Os números foram reunidos durante a implementação, entre meados de maio e o início de julho. A empresa destaca que o ganho de desempenho acompanhou a economia de memória, contrariando a ideia de que otimizar um lado sacrifica o outro.
O caso reforça como pequenos ajustes em infraestrutura crítica podem gerar economia significativa. Para o usuário comum, o impacto é invisível, mas prático: consultas de DNS mais rápidas ajudam a abrir sites com menos demora. Em um mundo em que cada milissegundo importa, a iniciativa mostra o valor de olhar para o código com lupa. A eficiência energética também tem sido tema recorrente: a geração de energia solar já cobre boa parte da demanda nacional, o que mostra como otimização e sustentabilidade caminham juntas no setor de tecnologia.
Quem quiser se aprofundar em temas de infraestrutura pode conferir o artigo sobre o cabo chinês que pode substituir o HDMI e entender a evolução das conexões. Há também espaço para preocupações crescentes de segurança, como a vulnerabilidade explorada em servidores de impressão usados por empresas. Investir em desempenho de rede, afinal, só faz sentido quando a base é segura.
