A Anthropic, empresa por trás do assistente de inteligência artificial Claude, divulgou novos detalhes sobre como funcionará a marca d’água (watermark) que será aplicada a todo texto gerado pela plataforma. A medida, que já vinha sendo debatida nos últimos dias, provocou uma onda de cancelamentos de assinaturas entre usuários que temem perder privacidade e anonimato no uso da ferramenta.
O que é a marca d’água e por que ela está sendo implementada
A marca d’água é uma técnica que insere um padrão invisível ao leitor, mas detectável por quem possui uma chave de decodificação. Segundo a Anthropic, o objetivo é identificar conteúdo gerado por IA em conformidade com o Código de Prática de Transparência da União Europeia, que exige que empresas de IA implementem sistemas de rastreamento de conteúdo sintético.
De acordo com a empresa, a técnica utilizada é baseada no SynthID-Text, desenvolvido pelo Google DeepMind em 2024. O sistema funciona escolhendo entre alternativas equivalentes durante a geração de texto — por exemplo, entre as palavras “nublado” e “cinza” para descrever o clima — e criando um padrão estatístico que pode ser detectado posteriormente.
Reação dos usuários e cancelamentos em massa
A notícia gerou forte repercussão nas redes sociais. No Reddit, diversos usuáriosexpressaram insatisfação, com alguns classificando a medida como uma “conspiração contra usuários inocentes”. Outros argumentaram que a marca d’água poderia expor pessoas que usam a IA para auxílio em trabalhos acadêmicos ou profissionais.
Segundo o Business Insider, dezenas de usuários no X (antigo Twitter) declararam ter cancelado suas assinaturas do Claude como protesto. A discussão levantou questions sobre até que ponto a transparência obrigatória pode afetar a privacidade dos usuários de ferramentas de IA.
Como a marca d’água afeta diferentes tipos de conteúdo
A Anthropic explicou que a marca d’água terá impacto diferente dependendo do tipo de conteúdo gerado. Textos longos e criativos terão uma marca mais forte, enquanto código de programação terá marca praticamente insignificante, já que o modelo precisa produzir código funcional e não tem liberdade para escolher entre alternativas equivalentes.
Edições leves no texto provavelmente não removerão a marca d’água completamente, mas uma reescrita total — onde todas as palavras são substituídas — eliminaria o padrão. Nesse caso, segundo a Anthropic, é discutível se o texto ainda pode ser considerado “gerado por IA”.
Outras empresas também implementarão marca d’água
A Anthropic não está sozinha nessa mudança. De acordo com a empresa, outros grandes desenvolvedores de modelos de IA assinaram o mesmo Código de Prática e também estão implementando suas próprias marcas d’água. Isso significa que a medida tende a se tornar padrão no setor, afetando não apenas o Claude, mas também ferramentas como ChatGPT, Gemini e outras.
A empresa também afirmou que lançará uma API de detecção de marca d’água, permitindo que terceiros verifiquem se um texto foi gerado pelo Claude. Essa ferramenta será distinta dos serviços de detecção de IA existentes, que analisam padrões de escrita em vez de marcas d’água codificadas.
O que isso significa para o futuro da IA
A implementação de marcas d’água reflete uma tendência global de regulação da inteligência artificial. Enquanto a Europa avança com o AI Act, outros países também discutem formas de garantir transparência no uso de IA generativa. Para os usuários brasileiros, a mudança reforça a importância de entender como essas ferramentas funcionam e quais são as implicações de uso em contextos profissionais e acadêmicos.
A questão que fica é se a transparência obrigatória conseguirá equilibrar os interesses de regulação com a privacidade dos usuários — ou seará provocar migração massiva para plataformas que não adotem essas restrições.
