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Operação policial prende suspeitos após aposentada perder R$ 37 milhões em golpe de criptomoedas

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Uma aposentada de 70 anos perdeu R$ 37 milhões em um golpe envolvendo uma falsa plataforma de investimentos no Rio Grande do Sul. A vítima, que havia recebido uma herança, foi convencida ao longo de seis meses a transferir todo o patrimônio para a plataforma fraudulenta, mesmo com alertas de seu corretor oficial. A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Criptoabate contra o esquema.

Como o golpe funcionava

De acordo com o G1, a vítima foi incluída em grupos de mensagens que simulavam comunidades legítimas de estudo e investimentos no mercado financeiro. Os investigados, que se passavam por funcionários de uma empresa chamada TDASX, apresentavam análises de mercado, orientações financeiras e resultados aparentemente positivos. Com isso, a aposentada era convencida de que os investimentos estavam dando lucro e passava a fazer aportes cada vez maiores.

Quando a vítima tentou retirar o dinheiro, os saques foram bloqueados. A partir daí, começaram a surgir novas cobranças, apresentadas como taxas, impostos ou valores necessários para liberar o patrimônio. Segundo o delegado Eibert Moreira, do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), a cada pagamento uma nova justificativa era apresentada, levando a vítima a continuar transferindo dinheiro na tentativa de recuperar os valores já investidos.

Estratégia conhecida como “pig butchering”

A fraude é conhecida internacionalmente como “pig butchering” ou “golpe do abate de porcos”. De acordo com a Polícia Civil, a prática tem origem no sudeste asiático, em países como Laos, Camboja e Mianmar. Nesse tipo de golpe, os criminosos constroem gradualmente uma relação de confiança com a vítima antes de induzi-la a entregar quantias cada vez maiores.

O Metrópoles apurou que a vítima tinha histórico de investimentos e perfil considerado agressivo, com preferência por ativos de maior rentabilidade. Mesmo com os avisos de seu corretor oficial, ela decidiu fazer as transferências. “O corretor sempre desaconselhava para que ela não fizesse esses aportes tão altos em investimentos tão arriscados, só que aí ela acabou retirando o montante que ela tinha com essa corretora, migrando então os valores para essa plataforma falsa”, afirmou o delegado.

Operação prende suspeitos em três estados

A Operação Criptoabate cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em Gravataí (RS), São Paulo e Santos (SP). Ao todo, 18 pessoas são alvo da operação. Três delas foram presas e outras sete são procuradas pela polícia. Entre os presos estão três donos de instituições financeiras que operam conversão para criptomoeda, dois estrangeiros e uma gerente de banco tradicional.

De acordo com a investigação, a gerente era responsável por facilitar a abertura de contas operadas pelo grupo criminoso. O G1 apurou que 24 das 25 primeiras empresas que receberam dinheiro da vítima possuíam contas na mesma instituição financeira. Uma das instituições investigadas movimentou R$ 295 milhões em um único dia, e outra empresa em São Paulo registrou movimentação atípica de R$ 500 milhões no período investigado.

Prejuízo total e possíveis vítimas

Segundo a polícia, transações suspeitas feitas pelos investigados somam R$ 30 bilhões. A investigação também identificou 140 possíveis vítimas espalhadas pelo Brasil. A vítima principal perdeu não apenas a herança, mas também parte da rentabilidade que já havia acumulado em investimentos anteriores feitos por meio de uma corretora que operava regularmente no mercado financeiro.

A orientação da polícia é desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima do mercado, plataformas sem credenciais verificáveis e pedidos de novos depósitos para liberar valores que já teriam sido investidos. A investigação, que durou um ano e seis meses, envolveu análise bancária e telemática, inteligência financeira, técnicas de investigação cibernética e rastreamento de ativos virtuais.

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