O rover Perseverance, da NASA, está prestes a superar os 45,16 km de distância percorridos em Marte e se tornar o veículo que mais rodou em outro mundo. O marco, esperado para a próxima semana, deve ultrapassar o recorde do rover Opportunity, que encerrou as comunicações com a agência em 2018. O feito é atribuído principalmente ao sistema de navegação autônoma do veículo: cerca de 90% do trajeto foi dirigido pelo próprio robô, sem comandos humanos.
“O que realmente possibilitou tudo isso foi o sistema de navegação automática”, afirmou Steven Lee, gerente de projeto do Perseverance no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, em entrevista à Ars Technica. Assim como carros autônomos na Terra, o rover usa câmeras de bordo para mapear o terreno, identificar obstáculos como rochas e dunas de areia e calcular a rota mais segura em tempo real.
Dirigir sozinho em outro planeta
O Perseverance pousou na cratera Jezero em fevereiro de 2021 com um computador de navegação mais moderno que o do Curiosity, seu antecessor. Essa diferença é o segredo: enquanto o Curiosity, com chips que remontam à década de 1990, dirige de forma autônoma apenas cerca de 10% do trajeto, o Perseverance consegue processar as imagens enquanto as rodas ainda estão em movimento — capacidade batizada de “pensar dirigindo”.
O resultado é uma velocidade máxima de cerca de 150 metros por hora, o que pode parecer pouco, mas foi suficiente para o robô surpreender os cientistas, chegando a novos pontos de estudo antes do previsto no cronograma da missão.
Comparação entre os rovers da NASA
O desempenho autônomo do Perseverance contrasta com o das missões anteriores:
| Rover | Chegada | Distância em Marte | Direção autônoma |
|---|---|---|---|
| Opportunity | 2004 | 45,16 km (recorde atual) | cerca de 5% |
| Curiosity | 2012 | 38,6 km | cerca de 10% |
| Perseverance | 2021 | aproximadamente 45 km | cerca de 90% |
Além do recorde de distância, o Perseverance estabeleceu marcas menores: percorreu 699,9 metros sem nenhuma revisão humana e chegou a rodar 347,7 metros em um único dia, superando os registros anteriores do Opportunity.
E o desgaste das rodas?
As rodas do Perseverance foram redesenhadas após o desgaste observado no Curiosity, e a NASA afirma que não há sinais de desgaste apreciável até agora. A única preocupação menor são os atuadores das rodas, testados inicialmente para 20 km de condução — a agência está certificando-os para pelo menos 100 km.
O rover opera com energia de gerador termoelétrico de radioisótopos (RTG) e não carrega propulsores ou consumíveis, o que, segundo Lee, pode permitir que o robô continue dirigindo por si mesmo em Marte por muitos anos. A descoberta mais recente de Jezero pode alimentar novas explorações: entenda como a dinâmica do núcleo da Terra é estudada em laboratório e acompanhe a extensão de vida da sonda Voyager 2. A reportagem completa está na Ars Technica.
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