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Estudo da USP reforça que asteroide formou cratera onde bairro de SP cresceu

Cratera de Colônia asteroide USP

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais encontraram, pela primeira vez, grãos de zircão com marcas microscópicas de choque na Cratera de Colônia, no extremo sul de São Paulo. O estudo, publicado em abril na revista Earth and Planetary Science Letters e divulgado no Jornal da USP nesta quinta-feira (6), reforça que a formação de 3,6 km de diâmetro — onde hoje cresce o bairro de Vargem Grande, em Parelheiros — foi criada pela colisão de um asteroide com a Terra.

A descoberta é a evidência mineralógica direta mais forte já obtida para o local, que é estudado há mais de seis décadas. Os cristais de zircão, um dos minerais mais resistentes da natureza, preservaram as chamadas feições planares de deformação (PDFs, na sigla em inglês), estruturas formadas apenas sob pressões e temperaturas extremas, compatíveis com um impacto extraterrestre.

O que os cientistas encontraram

A equipe analisou 200 lâminas delgadas, fatias muito finas de rocha preparadas para observação em microscópio, obtidas a partir de três sondagens realizadas pela Sabesp na região. Do material, foram separados 40 grãos de zircão, cada um com cerca de 50 micrômetros (0,05 milímetro), examinados com luz polarizada em alta resolução.

Nos cristais, os pesquisadores identificaram diferentes tipos de deformação compatíveis com o impacto: recristalização, desorientação cristalográfica, perturbação das zonas de crescimento, feições planares de deformação e texturas granulares. Segundo Victor Velázquez Fernandez, docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e autor principal do estudo, os PDFs são uma “assinatura” associada a impactos capazes de formar crateras.

Uma cratera em meio à cidade

A Cratera de Colônia é uma depressão circular de 3,6 km de diâmetro, identificada na década de 1960 por meio de imagens aéreas. A formação fica a cerca de 35 km da Praça da Sé e seu interior abriga boa parte do bairro de Vargem Grande, com casas distribuídas em ruas de diferentes níveis de inclinação dentro da estrutura circular.

A área foi tombada pelo Condephaat em 2003, declarada Monumento Geológico em 2009 e protegida como Parque Natural Municipal da Cratera de Colônia. Estima-se que o impacto tenha ocorrido entre 5 milhões e 36 milhões de anos atrás — e, apesar da escala do evento, o nome da cratera vem de uma referência mais recente: o bairro vizinho de Colônia Paulista, antiga colônia alemã rebatizada durante a Segunda Guerra Mundial.

O que isso significa para a ciência

A descoberta afasta explicações alternativas para a formação, como deformações tectônicas regionais ou metamorfismo comum, e confirma a origem por impacto de asteroide. A Colônia é uma das estruturas de impacto confirmadas no Brasil, ao lado de sítios como o Vargeão Dome (SC) e a Serra da Cangalha (MA).

O trabalho mostra como minerais microscópicos podem preservar registros de eventos ocorridos em um passado geológico remoto — mesmo quando, milhões de anos depois, uma cidade já se desenvolveu sobre a estrutura. Para comparar com outra cicatriz de impacto ligada ao espaço, veja como a colisão de um foguete da SpaceX deixou uma nova marca na Lua. E para entender os movimentos internos do planeta, leia sobre a reversão de direção do núcleo da Terra. O estudo completo pode ser consultado na página do Jornal da USP.

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