A fumaça de incêndios florestais se tornou uma ameaça maior à saúde prenatal do que a poluição de fontes humanas, como veículos e indústrias, nos Estados Unidos. Um estudo publicado pela Universidade de Maryland na revista Frontiers in Environmental Health revelou que, entre 2003 e 2019, a exposição pré-natal a poluentes de fontes humanos caiu 37%, mas a contribuição dos incêndios florestais dobrou, anulando parte desses ganhos.
Como a pesquisa foi conduzida
A equipe analisou dados de quase 64,5 milhões de nascidos vivos ao longo de 16 anos, combinando informações da EPA (Agência de Proteção Ambiental) com registros de nascimento. Os pesquisadores utilizaram modelos computacionais para estimar exposições a PM2.5 — partículas finas de poluição — de fontes humanas e naturais, calculando quantos dias os bebês foram expostos a níveis considerados não saudáveis pela EPA.
Os resultados mostraram que, até o final do período de estudo, aproximadamente 65% dos dias de exposição a poluição pré-natal acima do limite saudável podiam ser atribuídos a incêndios florestais. No Noroeste dos EUA, a contribuição dos incêndios para a poluição de PM2.5 disparou de 5,1% para 13,3%, de acordo com apontou a Inside Climate News.
Populações mais vulneráveis
O estudo destacou que populações de baixa renda, rurais e indígenas suportaram o impacto desproporcional da poluição por incêndios. Comunidades com maior responsabilidade de incêndios frequentemente têm menos acesso a cuidados neonatais, o que agrava os riscos à saúde. A exposição pré-natal à fumaça aumenta significativamente a probabilidade de nascimento prematuro ou com peso baixo, elevando o risco de doenças respiratórias crônicas na infância.
Michel Boudreaux, autor sênior do estudo, explicou que a pesquisa foca em uma população muito vulnerável a resultados adversos de saúde. Os pesquisadores identificaram janelas críticas de exposição no início e final da gestação, com risco aumentado para episódios de alta intensidade e duração.
Implicações para saúde pública
As descobertas sugerem a necessidade urgente de intervenções de saúde pública para reduzir a exposição a fumaça de incêndios durante a gravidez, como abrigos de ar limpo, filtros de ar e melhor acesso a serviços de saúde. Boudreaux destacou que reduzir a exposição no período pré-natal trará benefícios a longo prazo para a saúde das crianças.
O estudo reforça que os ganhos alcançados pela legislação ambiental continuam protegendo gestantes e bebês, mas a mudança climática está criando condições mais favoráveis a incêndios intensos, ameaçando reverter esses avanços. Dados recentes indicam que as últimas seis anos viram incêndios catastróficos no oeste dos EUA e no Canadá, sugerindo que a situação pode estar piorando.
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