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Dados de satélites desafiam modelo clássico de dois bojos de maré ensinado em escolas

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Um estudo global publicado na revista Science China Earth Sciences desafia um dos conceitos mais fundamentais da oceanografia: o modelo dos dois bojos de maré. De acordo com a teoria ensinada em livros didáticos de física, geografia e oceanografia há gerações, a gravidade da Lua forma dois salientes de água simétricos em lados opostos da Terra, gerando marés altas e baixas conforme o planeta gira. Mas dados de satélites e mareógrafos contam uma história diferente.

O que os dados de satélite revelam

Pesquisadores liderados por Yongfeng Yang, da província de Shandong, e Jiajia Yuan, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Anhui, analisaram observações de maré de 362.370 localidades oceânicas medidas pelo satélite Jason-3 ao longo de 2021. Entre 175.402 localidades dentro de ângulos lunares de 0 a 60 graus e 120 a 180 graus — regiões onde o modelo prevê salientes de água —, 56,84% experimentaram marés baixas e apenas 43,16% marés altas. O padrão oposto apareceu nas 186.968 localidades na faixa de 60 a 120 graus, correspondente à região deprimida do modelo, onde 56,38% experimentaram marés altas.

Confirmação com mareógrafos

Para validar os resultados, os pesquisadores examinaram dados de 166 estações mareométricas durante agosto de 2014 e encontraram o mesmo padrão geral: marés baixas predominavam em ângulos lunares de 0 a 60 graus e 120 a 180 graus, enquanto marés altas eram mais comuns entre 60 e 120 graus. Os achados contradizem diretamente a existência física de dois salientes de água na superfície da Terra, declararam os autores.

Uma explicação alternativa

O estudo discute uma teoria recente na qual as marés surgem de oscilações das bacias oceânicas em vez de simplesmente puxar a água para dois salientes. Nessa visão, a gravidade da Lua deforma a Terra sólida, e à medida que a Terra alongada gira, as bacias oceânicas são repetidamente elevadas e abaixadas, impulsionando o movimento da água que produz os ciclos diários de maré alta e baixa. Esse mecanismo é consistente com as observações: marés baixas ocorrem mais frequentemente onde a Terra sólida se eleva, enquanto marés altas predominam onde ela é comprimida. Para uma perspectiva sobre como a ciência desafia o estabelecido, veja como um meteorito de 300 anos reformulou a física de materiais.

O estudo não invalida completamente a teoria dos dois bojos, mas demonstra que sua representação física simplificada não corresponde ao que os dados observacionais mostram — um lembrete de que mesmo os conceitos mais básicos da ciência podem precisar de revisão quando confrontados com evidências de larga escala. Para mais sobre descobertas científicas, veja como a NASA investiga atmosferas de exoplanetas em busca de vida.

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