A energia solar liderou o ranking de novas usinas de energia que entraram em operação nos EUA no primeiro semestre de 2026, de acordo com análise publicada pelo Ars Technica e dados do Administration Information Administration (EIA). Foram 207 projetos de escala utilitária conectados à rede, seguidos por baterias de armazenamento — enquanto usinas de combustíveis fósseis ficaram bem atrás.
Recorde histórico de capacidade
O EIA prevê que os desenvolvedores adicionem 43,4 GW de nova capacidade solar utilitária em 2026 — um aumento de 60% em relação ao ano anterior, se realizado. Mais da metade dessa nova capacidade está prevista para quatro estados: Texas (40%), Arizona (6%), Califórnia (6%) e Michigan (5%).
De acordo com dados do SEIA/Wood Mackenzie, a capacidade solar total instalada nos EUA alcança cerca de 210-225 GW no primeiro trimestre de 2026, representando aproximadamente 8% da geração total de eletricidade do país — um salto significativo em relação aos 0,5% registrados em 2015.
Projetos emblemáticos
Entre os projetos mais significativos destaca-se o Mammoth Solar, em Indiana, que será a maior fazenda solar fotovoltaica dos EUA e do hemisfério ocidental quando completado, com capacidade planejada de 1.600 MW. Na Califórnia, as instalações Edwards e Sanborn representam uma nova geração de desenvolvimentos integrados que combinam geração solar com armazenamento em bateria.
O projeto Eagle Shadow Mountain, localizado na Reserva Indiana Moapa River em Nevada, é um exemplo importante de implantação de energia solar em terras tribais, representando tanto uma oportunidade econômica quanto um passo em direção à equidade energética.
Transição estrutural
A escala e a velocidade da implantação solar sublinham uma mudança estrutural no sistema energético dos EUA. Solar e vento representarão virtualmente toda a nova capacidade de geração líquida em 2026, com a liderança solar dentro desse mix de energia limpa.
A energia solar já superou a hidrelétrica na parcela de geração pela primeira vez — cerca de 8% contra 6%. Embora a capacidade solar exceda a eólica, o vento ainda gera mais devido ao seu fator de capacidade mais alto.
Impacto econômico
A indústria solar empregou cerca de 340.000 trabalhadores em 2026, com cerca de 60% na instalação, 18% na fabricação e o restante em desenvolvimento, manutenção e administração. A receita do setor atinge aproximadamente US$ 95-110 bilhões.
No Brasil, a energia solar também avança rapidamente. De acordo com dados da ABGD (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o país deve ultrapassar 50 GW de capacidade instalada até o final de 2026, consolidando-se como um dos mercados em mais rápido crescimento no mundo.
Previsões para o futuro
Projeções indicam que a capacidade solar dos EUA pode alcançar 255-270 GW em 2027 e 380-420 GW até 2030, representando 16-18% da geração de eletricidade. Essas previsões consideram que os incentivos do IRA (Inflation Reduction Act) permaneçam em vigor e que as cadeias de suprimentos se mantenham estáveis.
Para especialistas, a era em que a energia solar era considerada uma contribuição de nicho para a matriz energética está definitivamente encerrada. Em 2026, ela é a espinha dorsal da nova capacidade de geração elétrica no país.
