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Como a inteligência artificial já está presente na produção de papel higiênico

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Quem passa pelo corredor de papel higiênico no supermercado dificilmente imagina que aquele produto já contou com a ajuda de satélites, inteligência artificial, sensores instalados em árvores e até joaninhas. A Suzano, maior produtora de celulose do mundo, tem utilizado tecnologia de ponta para garantir que a matéria-prima que abastece fábricas de papéis sanitários, impressão e embalagens chegue às prateleiras com estabilidade e sustainibilidade.

Como a IA entra na floresta

A inteligência artificial da Suzano atua em uma etapa crucial da operação: prever problemas antes que eles apareçam. Imagens de satélite, algoritmos avançados e uma ampla base de dados permitem identificar alterações no desenvolvimento das árvores, sinais de estresse hídrico, focos iniciais de pragas e até regiões com maior risco de incêndio.

De acordo com Douglas Lazaretti, vice-presidente executivo florestal da empresa, a mudança foi de uma atuação reativa para uma atuação proativa e preditiva. “Hoje conseguimos antecipar problemas e tomar decisões antes que eles afetem a produção”, explicou à CNN Brasil.

Torres inteligentes e joaninhas

A empresa implementou 133 torres equipadas com câmeras inteligentes, cujas informações são cruzadas com imagens de satélite para prever áreas de maior risco de incêndio. Em 2024, essa tecnologia contribuiu para uma redução de 61% nos incêndios registrados nas propriedades da Suzano.

Além da tecnologia digital, a empresa também usa inimigos naturais das pragas. Em vez de ampliar a aplicação de inseticidas químicos, a Suzano cria organismos em laboratório para controlar espécies que atacam o eucalipto. Em 2024, mais de 340 milhões desses agentes biológicos foram liberados em aproximadamente 500 mil hectares, reduzindo o consumo de inseticidas químicos em cerca de 17,1 mil quilos. Em algumas áreas, a joaninha Olla v-nigrum eliminou completamente a necessidade de aplicações químicas.

Sensores nas árvores

O monitoramento também acontece dentro da floresta. Sensores instalados nos troncos medem, em tempo real, o consumo de água, o crescimento das plantas e a captura de carbono. Esses dados são combinados com imagens de satélite e analisados por inteligência artificial para orientar decisões de manejo e melhorar a produtividade das florestas.

“O negócio florestal está se sofisticando e se tornando cada vez mais tecnológico. O uso de dados e inteligência artificial passou a fazer parte da rotina operacional e será cada vez mais importante para elevar a produtividade e tornar nossas florestas mais resilientes”, concluiu Lazaretti.

Renova também usa IA

A tecnologia não se limita à produção de celulose. A Renova, empresa portuguesa de papéis higiênicos, anunciou que está desenvolvendo um novo produto premium produzido a partir de têxteis reciclados, com uso parcial de inteligência artificial no processo de desenvolvimento, incluindo as embalagens.

De acordo com o CEO Paulo Pereira da Silva, a estratégia abriu caminho a novas abordagens inovadoras, e o produto já suscitou interesse em mercados do norte da Europa. A iniciativa mostra como a IA está penetrando em setores que parecem tradicionais e pouco tecnológicos.

Impacto para o consumidor

Para o consumidor brasileiro, a aplicação de IA na produção de papel higiênico significa maior estabilidade na oferta e, potencialmente, preços mais previsíveis. Com as mudanças climáticas ameaçando a produtividade florestal, a capacidade de antecipar problemas e otimizar recursos torna-se essencial para garantir que prateleiras continue abastecidas.

A parceria entre tecnologia de IA e manejo florestal sustentável representa um novo capítulo na indústria de papel brasileira — e prova que inovação pode estar presente até nos itens mais comuns do dia a dia.

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