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Cientistas descobrem que Theia, planeta que colidiu com a Terra e formou a Lua, veio do sistema solar interno

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Uma equipe liderada pelo Instituto Max Planck de Pesquisa do Sistema Solar e pela Universidade de Chicago publicou na revista Science evidências de que Theia, o protoplaneta que colidiu com a Terra há 4,5 bilhões de anos e deu origem à Lua, formou-se no sistema solar interno, mais perto do Sol que a órbita atual da Terra, e não na região externa como se pensava.

Análise de isótopos revela origem de Theia

Os pesquisadores utilizaram uma espécie de “engenharia reversa” isotópica, analisando isótopos de ferro, cromo, molibdênio e zircônio em 15 rochas terrestres e 6 amostras lunares das missões Apollo. Os dados mostraram que Theia era um planeta rochoso com um núcleo metálico, com massa de 5% a 10% da da Terra. Seu material isotópico difere significativamente do da Terra, mas corresponde ao de meteoritos do sistema solar interno.

Essa correspondência indica que Terra e Theia eram “vizinhas” de formação, desafiando modelos anteriores que sugeriam uma origem mais distante para o impactador. O estudo também complementa pesquisas anteriores da Universidade do Arizona, que sugerem que os LLSVPs — duas enormes camadas de rocha no manto profundo da Terra — podem ser os restos diretos de Theia, já que seu tamanho e densidade são consistentes com os de um impactador do tamanho de um protoplaneta terrestre.

O que restou de Theia dentro da Terra

Se confirmada, a hipótese dos LLSVPs representaria uma conexão impressionante entre a formação da Lua e a estrutura interna do planeta que habitamos. As duas camadas de rocha, localizadas no manto profundo perto do núcleo terrestre, teriam cerca de duas vezes o tamanho da Lua e seriam composicionalmente distintas do restante do manto, explicando sua persistência ao longo de bilhões de anos.

Essa descoberta nos lembra de como eventos catastróficos no início do sistema solar moldaram o planeta como o conhecemos hoje. A colisão entre Theia e a Terra não apenas criou a Lua, mas também pode ter contribuído para a inclinação do eixo terrestre, que é responsável pelas estações do ano. Além disso, o calor gerado pelo impacto derreteu grande parte da crosta terrestre, criando um oceano de magma que levou milhões de anos para se resfriar.

Os pesquisadores do Instituto Max Planck destacam que a origem interna de Theia muda a narrativa sobre como os planetas rochosos se formaram. Enquanto modelos anteriores previam que grandes impactadores vinham de regiões distantes do sistema solar, os dados isotópicos mostram que Theia orbitaliza em uma região muito mais próxima ao Sol, sugerindo que colisões entre protoplanetas vizinhos podem ter sido comuns nos estágios finais da formação planetária.

Esses detalhes reforçam a importância de estudar a formação planetária para entender melhor nosso próprio planeta, um tema que ecoa outras pesquisas sobre a observação do cosmos e seus mistérios.

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