Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio descobriram um ponto fraco no glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de tratar. O estudo, publicado na revista Cancer Letters, identificou que a proteína SET pode ser um alvo para tornar o cancer mais responsivo à radioterapia e à quimioterapia.
O que é glioblastoma
O glioblastoma é conhecido por seu crescimento rápido, resistência a tratamentos e recorrência frequente. Sua capacidade de se adaptar à radioterapia e à quimioterapia tornou o tumor um dos mais desafiadores da oncologia. Segundo dados internacionais, a taxa de sobrevida de cinco anos para pacientes com glioblastoma é inferior a 7%, o que o torna um dos diagnósticos mais temidos na neurologia.
A descoberta abre caminho para uma nova abordagem terapêutica que poderia combinar inibidores de SET com os tratamentos convencionais, aumentando significativamente as chances de resposta ao tratamento. Segundo os autores, a pesquisa representa um avanço importante na compreensão dos mecanismos de resistência do glioblastoma.
Como funciona a descoberta
De acordo com os autores do estudo, a proteína SET atua como um “escudo” que protege as células cancerosas dos efeitos da radioterapia. Quando essa proteína é bloqueada, as células tumorais se tornam muito mais vulneráveis aos tratamentos existentes. O processo é semelhante a remover a armadura de um inimigo antes da batalha.
Os pesquisadores demonstraram que a combinação de inibidores de SET com radioterapia resultou em redução significativa do tumor em modelos pré-clínicos. Os resultados são promissores, mas ainda precisam passar por testes clínicos em humanos antes de se tornarem uma opção de tratamento disponível.
Impacto para pacientes
Caso os resultados se confirmem em ensaios clínicos, a nova abordagem poderia beneficiar milhares de pacientes ao redor do mundo. O glioblastoma afeta cerca de 3.000 novos pacientes por ano apenas no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A doença é mais comum em adultos entre 50 e 70 anos, mas pode afetar qualquer faixa etária.
Os autores do estudo destacam que a pesquisa ainda está em fase inicial, mas os dados pré-clínicos são suficientemente positivos para justificar a continuidade dos trabalhos em direção a testes em humanos. A próxima etapa será a realização de ensaios clínicos de fase 1, que devem começar nos próximos dois anos.
O estudo foi financiado pelo National Cancer Institute dos Estados Unidos e conta com colaboração de pesquisadores de diversas instituições. Os resultados reforçam a importância da pesquisa básica para o desenvolvimento de novas terapias contra o câncer.
