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Células-tronco do câncer têm vício em energia que pode ser explorado, diz estudo

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Cientistas da Universidade do Colorado identificaram uma fraqueza metabólica em células-tronco de câncer de sangue de alto risco: uma “viciada em energia” que pode ser explorada para atacar seletivamente as células que sustentam a doença. A descoberta, publicada no Blood Cancer Discovery, abre caminho para novos tratamentos contra síndromes mielodisplásicas (MDS), um grupo agressivo de cânceres que pode evoluir para leucemia mieloide aguda.

A vulnerabilidade metabólica

As células-tronco de MDS de alto risco consomem nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD) de forma diferente das células-tronco saudáveis. Essa molécula é essencial para a geração de energia nas células. Segundo o professor Eric Pietras, co-líder do estudo, as células malignas “desenvolveram uma necessidade muito maior por esse recurso”, criando uma dependência que pode ser explorada por medicamentos.

No centro dessa vulnerabilidade está uma enzima chamada NAMPT, que faz parte da via de reciclagem de NAD. Quando os pesquisadores interferiram na NAMPT, os níveis de NAD caíram. As células-tronco saudáveis conseguiram se adaptar usando rotas metabólicas alternativas, mas as células de MDS não — ficaram em crise energética.

Por que isso importa

O MDS afeta principalmente adultos mais velhos, com 10.000 a 20.000 novos diagnósticos por ano nos EUA. O tratamento pode incluir cuidados de suporte, medicamentos como azacitidina e decitabina, quimioterapia e transplante de medula óssea. Porém, o transplante — único tratamento com potencial curativo conhecido — apresenta riscos que limitam seu uso na população mais velha.

De acordo com os pesquisadores, simplesmente encontrar algo que as células cancerosas precisam não é suficiente, pois células saudáveis frequentemente precisam das mesmas moléculas. O que torna a NAMPT promissora é a diferença de dependência: as células de MDS dependem dela de forma desproporcional.

Resultados pré-clínicos

Em testes com células derivadas de pacientes e modelos animais, bloquear a NAMPT reduziu as células-tronco responsáveis por sustentar a doença. Os resultados ainda são pré-clínicos, então não demonstram que o bloqueio da NAMPT será seguro ou eficaz em humanos com MDS.

No entanto, a NAMPT está atraindo interesse mais amplo como alvo anticâncer. Estudos recentes de laboratório exploraram se tumores com demanda incomumente alta por NAD podem ser tornados vulneráveis interferindo na mesma via de reciclagem.

Próximos passos

O próximo passo é avaliar medicamentos que atacam a NAMPT em estudos clínicos com pacientes com MDS e cânceres de sangue relacionados. Pietras afirmou que o objetivo é “identificar abordagens que tornem essas doenças complexas mais tratáveis, encontrando as diferenças entre células cancerosas e células normais”.

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