O Itaú Unibanco lançou em julho o ia.i (Inteligência Artificial Itaú), um assistente conversacional integrado ao Superapp do banco que permite realizar transferências Pix por voz ou texto e receber orientações financeiras personalizadas. A ferramenta, desenvolvida pelo centro de pesquisa iCTI com mais de 200 cientistas, será disponibilizada inicialmente para 300 mil usuários e deve alcançar toda a base de clientes até o final de 2026.
Como funciona o assistente
O ia.i utiliza modelos de linguagem treinados com dados bancários para oferecer respostas contextualizadas. O cliente pode pedir, por exemplo, “pague R$ 200 para o João” e o assistente executa a transferência Pix após confirmação. Além das transações, o sistema analisa o histórico de gastos para sugerir metas de economia e alertar sobre cobranças recorrentes.
“Estamos criando uma nova maneira dos brasileiros se relacionarem com o dinheiro”, disse João Araújo, diretor de inovação do Itaú, em apresentação aos analistas. Segundo ele, o banco investiu mais de R$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento nos últimos três anos para viabilizar o projeto.
Estratégia “AI First”
O lançamento do ia.i faz parte da estratégia “AI First” do Itaú, que prevê integrar inteligência artificial em todos os serviços do banco até 2027. O centro iCTI, sediado em São Paulo, conta com 200 pesquisadores e registrou mais de 20 patentes relacionadas a processamento de linguagem natural e aprendizado de máquina.
De acordo com a Febraban, os bancos brasileiros devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, alta de 8% em relação ao ano anterior. A maior parte desse montante está direcionada para projetos de inteligência artificial e automação de processos.
Segurança e privacidade
O banco garante que os dados dos clientes são processados em ambiente seguro, com criptografia de ponta a ponta e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo o Itaú, o ia.i não armazena informações pessoais em servidores externos e permite ao cliente desativar o serviço a qualquer momento.
A preocupação com segurança é relevante em um momento em que o volume de dados sensíveis circula cada vez mais nas redes. Em recente investigação, pesquisadores identificaram terabytes de credenciais vazadas em serviços populares, reforçando a importância de protetores digitais.
Concorrência no mercado
O Itaú não está sozinho na corrida por IA bancária. O Bradesco desenvolveu o Bradesco IA, o Santander testa assistentes virtuais baseados em IA e o Nubank já utiliza modelos de linguagem para atendimento ao cliente. No entanto, a capacidade de executar Pix diretamente por comando de voz posiciona o ia.i como diferencial competitivo.
A aposta do Itaú em IA se alinha a uma tendência global de bancos que buscam personalizar serviços para reter clientes. Em paralelo, empresas de tecnologia como a Anthropic, avaliada em US$ 2 trilhões, continuam impulsionando o desenvolvimento de modelos de linguagem cada vez mais sofisticados.
Próximos passos
O Itaú planeja expandir as funcionalidades do ia.i para incluir investimentos, seguros e abertura de contas. A meta é que o assistente esteja disponível para todos os 55 milhões de clientes ativos do banco até dezembro de 2026. Com isso, a instituição espera aumentar a taxa de adoção de serviços digitais, que hoje atinge 78% da base.
O lançamento do ia.i reforça a posição do Itaú como líder em inovação bancária no Brasil e sinaliza que a inteligência artificial deixará de ser uma ferramenta auxiliar para se tornar o principal canal de relacionamento entre bancos e clientes.
