Investidores da Anthropic planejam levar a empresa a uma valorização de US$ 2 trilhões em sua oferta pública inicial (IPO), prevista para outubro de 2026. Seria a maior oferta pública de ações de uma empresa de IA da história, superando até mesmo a estreia da Alibaba em 2014. A companhia, criadora do assistente Claude, arrecadou US$ 65 bilhões em sua rodada Series H em junho, alcançando valorização de US$ 965 bilhões.
O caminho até o IPO
A Anthropic apresentou sua documentação confidencial à SEC em 1 de junho de 2026, apenas uma semana após a OpenAI ter feito o mesmo. De acordo com fontes do Financial Times, a empresa está conduzindo roadshows com investidores desde julho, com o objetivo de precificar a oferta em outubro. A listagem ocorrerá no Nasdaq.
A valorização da Anthropic pulou de US$ 380 bilhões para US$ 965 bilhões em menos de quatro meses, refletindo o crescimento rápido de receita e a demanda institucional por exposição pré-IPO em empresas de IA. A empresa alcançou uma receita anual recorrente de aproximadamente US$ 47 bilhões em maio de 2026, um salto de mais de 4 vezes em comparação com o final de 2025.
Competição com a OpenAI
A corrida ao mercado público entre Anthropic e OpenAI ecoa a dinâmica Lyft-Uber de 2019. A Lyft listou primeiro e teve melhor desempenho imediato, enquanto a Uber — a marca maior — fechou abaixo do preço de estreia no primeiro dia de negociação. Analistas projetam que a Anthropic possa atingir capitalização de mercado de US$ 1,14 trilhão nos primeiros 90 dias após o IPO.
De acordo com o Reuters, a listagem da Anthropic visa superar a OpenAI nos mercados públicos. Enquanto a Anthropic está mirando outubro, a OpenAI tem como alvo setembro, com valorização esperada acima de US$ 1 trilhão. Se as três principais listagens — Anthropic, OpenAI e SpaceX — se concretizarem em 2026, poderão trazer quase US$ 3 trilhões em capitalização de mercado para investidores público.
Desafios e riscos
Apesar do crescimento impressionante, a Anthropic enfrenta desafios significativos. A margem operacional projetada para o segundo trimestre de 2026 é de apenas cerca de 5%, impulsionada por custos elevados de computação. Para justificar uma valorização de US$ 1 trilhão, a empresa precisará sustentar receita anual de aproximadamente US$ 50 bilhões, um patamar que está alcançando mas ainda não provou ser sustentável.
Questões de governança também preocupam investidores. A estrutura LTBT (Long-Term Benefit Trust) da Anthropic pode receber scrutiny durante os roadshows. Em fevereiro, o CEO Dario Amodei recusou um pedido do Pentágono para remover as proteções de segurança do Claude, resultando na designação da empresa como risco de cadeia de suprimentos militar — decisão que pode ter custado receita governamental significativa.
O impacto no mercado de IA
A IPO da Anthropic marca o ápice do ciclo atual de financiamento de IA. Goldman Sachs projeta que as ofertas públicas dos EUA em 2026 possam atingir US$ 160 bilhões, quadruplicando os níveis de 2025. Para investidores institucionais, a listagem representa tanto uma oportunidade quanto um sinal de risco: a pressão por margens pode comprimir a cultura de pesquisa que tornou as ferramentas de segurança da Anthropic as melhores do setor.
Para o público brasileiro, a valorização bilionária de empresas de IA reflete a transformação digital acelerada que afeta todos os setores da economia, desde serviços financeiros até saúde e educação.
