O X, antigo Twitter, anunciou na quarta-feira (13) a maior expansão de seu código-fonte aberto até hoje, disponibilizando o algoritmo completo que alimenta o feed “Para Você” e o sistema central de classificação de posts. A empresa também lançou uma ferramenta de transparência que permite aos usuários verificar se suas contas ou publicações foram afetadas por sistemas de ranqueamento — incluindo o temido “shadowban”.
O que mudou no código aberto
O repositório no GitHub, licenciado sob Apache v2, agora inclui o código que seleciona, ranquea e monta o feed para cada usuário individualmente. De acordo com Keith Coleman, vice-presidente de produto do X, o novo pacote é entre 10 e 15 vezes maior que a versão anterior.
“Você terá o código central de ranqueamento que puxa posts e os ordena para qualquer usuário e monta o feed”, explicou Coleman em entrevista ao TechCrunch. “Você pode ver os sistemas que filtram conteúdo potencialmente problemático, que viola regras.”
Ferramenta de transparência para usuários
A novidade mais direta para o público geral é a página “Under the Hood” nas configurações do app. Usuários que publicaram pelo menos 10 vezes no último mês podem baixar um arquivo JSON com estatísticas agregadas, incluindo rótulos aplicados à conta ou a publicações específicas.
O arquivo pode ser analisado com a ajuda de qualquer modelo de linguagem, apontando o assistente para o repositório do X no GitHub. A funcionalidade será disponibilizada inicialmente para um grupo de teste com contas com pelo menos um ano de existência, antes da liberação mais ampla.
O que ficou de fora
Alguns sistemas não foram incluídos na divulgação, como os que utilizam o Grok para prever se um post pode violar regras. A decisão visa impedir que atores mal-intencionados usem essas informações para contornar as normas da plataforma e inundar a rede com spam.
Apesar do avanço em transparência de código, o X se tornou, de maneira geral, menos transparente sob o governo de Elon Musk, segundo apontam especialistas. Como empresa privada, a plataforma não é mais obrigada a reportar à SEC e passou a divulgá-las com menos frequência em áreas como métricas de usuários, crescimento e receita.
Contexto: shadowban e política
A discussão sobre transparência algorítmica no X tem raízes antigas. Antes da aquisição por Musk, membros do Partido Republicano nos EUA alegavam que a rede inclinava-se à esquerda e praticava shadowbanning — ocultando posts sem conhecimento dos autores. O Twitter sempre negou essas acusações.
Com este movimento, a empresa busca atender a preocupações contínuas sobre como o algoritmo influencia política, eleições e disseminação de desinformação. Coleman afirmou que o objetivo é que “qualquer pessoa na pública possa avaliar como os posts são distribuídos na plataforma”.
Desenvolvedores poderão enviar contribuições via pull requests ao repositório, que serão avaliados pelos engenheiros do X. A empresa também disponibilizou ferramentas para que pesquisadores externos rodem o sistema de scores fora da plataforma, um marco nos esforços de transparência.
