Pesquisadores da UCLA descobriram que a creatina — suplemento popular entre atletas e fisiculturistas — pode “superpotencializar” células imunológicas que desempenham um papel fundamental no combate ao câncer. O estudo, publicado na revista iScience em 5 de junho, demonstrou que a suplementação com creatina desacelerou significativamente o crescimento de tumores em modelos de camundongos.
Células dendríticas: o alvo da pesquisa
Diferente de estudos anteriores que focavam nos linfócitos T assassores, esta pesquisa se concentrou nas células dendríticas — células especializadas que capturam fragmentos de tumor e direcionam os linfócitos T para atacar. De acordo com a professora Lili Yang, autora sênior do estudo, “a imunoterapia tem mostrado resultados notáveis, mas só funciona para um subconjunto de pacientes. O que este estudo mostra é que a creatina não só ajuda os linfócitos T que combatem o câncer, mas também energiza toda a infraestrutura que os apoia e direciona.”
A equipe descobriu que o gene que codifica o transportador de creatina — uma proteína que puxa a creatina para dentro das células — estava significativamente elevado nas células dendríticas dentro de tumores em comparação com aquelas em tecidos saudáveis. Quando as células dendríticas foram geneticamente modificadas para não possuir o transportador de creatina, elas mostraram sobrevivência prejudicada, ativação reduzida e capacidade enfraquecida de ativar linfócitos T.
Resultados em camundongos e células humanas
Na fase oposta, a administração diária de injeções de creatina em modelos de camundongos com melanoma desacelerou significativamente o crescimento tumoral e aumentou tanto a abundância quanto a ativação das células dendríticas infiltradas no tumor. As células tratadas com creatina também produziram níveis mais altos de sinais químicos que atraem outras células imunológicas para o tumor.
Segundo Elliot Kang, co-primeiro autor do estudo, “entender como apoiar metabolicamente as células dendríticas é apoiar toda a resposta antitumoral, não apenas os linfócitos T assassores no final dela.” A pesquisa também testou os efeitos da creatina em células dendríticas humanas, com resultados positivos que sugerem potencial aplicação em vacinas contra câncer baseadas em células dendríticas.
Os pesquisadores enfatizam que o estudo foi conduzido em células e camundongos, não em pacientes, e que nenhuma recomendação dietética ou médica deve ser extraída dele. Embora a creatina monohidratada seja geralmente considerada segura em doses recomendadas, qualquer pessoa em tratamento contra o câncer deve consultar um médico antes de adicionar suplementos à sua rotina.
Os pesquisadores enfatizam que o estudo foi conduzido em células e camundongos, não em pacientes, e que nenhuma recomendação dietética ou médica deve ser extraída dele. Embora a creatina monohidratada seja geralmente considerada segura em doses recomendadas, qualquer pessoa em tratamento contra o câncer deve consultar um médico antes de adicionar suplementos à sua rotina.
O próximo passo da equipe é colaborar com médicos em ensaios clínicos prospectivos que poderiam testar se a suplementação com creatina melhora os resultados em pacientes recebendo imunoterapia. Se os resultados se confirmarem em humanos, a creatina poderia se tornar uma ferramenta acessível e de baixo custo para potencializar tratamentos contra o câncer.
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