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Derretimento do gelo marinho combina com oceano para formar nuvens no Ártico

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Cientistas da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, descobriram um processo natural previamente desconhecido que aumenta dramaticamente o número de partículas formadoras de nuvens na atmosfera do Ártico. O estudo, publicado na revista Nature Geoscience em 5 de agosto, apresenta a primeira evidência de que onde o gelo marinho encontra o oceano aberto, a vida marinha e a luz solar se combinam para liberar uma mistura química que semeia o céu com partículas responsáveis pela formação de nuvens.

O processo químico descoberto

Segundo os pesquisadores, uma combinação de iodo naturalmente ocorrente, enxofre e compostos orgânicos é emitida na fronteira entre o gelo marinho e o oceano, criando novas partículas atmosféricas. Na zona marginal do gelo — a faixa estreita onde o oceano aberto encontra o gelo derretido, e onde as algas marinhas são mais produtivas —, o número de partículas capazes de formar gotículas de nuvens aumentou 50 vezes em um único dia.

De acordo com o professor Zongbo Shi, que liderou o estudo, “nossa descoberta é importante porque essas novas partículas podem influenciar nuvens, que desempenham um papel crítico na determinação de quanto calor é retido ou refletido. Mais nuvens ou nuvens mais espessas na estação de aquecimento poderiam potencialmente acelerar o derretimento do gelo enquanto resfriam o oceano aberto.”

Impacto nos modelos climáticos

O Ártico esquenteou mais de três vezes mais rápido que a média global nas últimas quatro décadas, tornando-se uma das regiões mais sensíveis da Terra às mudanças climáticas. A zona marginal do gelo está se expandindo à medida que o gelo marinho recua, mas o processo de formação de nuvens descoberto pelos cientistas está ausente dos atuais modelos climáticos.

Os dados foram coletados durante uma expedição a bordo do navio de pesquisa Royal Research Ship Discovery ao redor da Groenlândia e do Estreito de Davis na primavera e verão de 2022. O time internacional, que incluiu pesquisadores da China e da Espanha, agora trabalha para incorporar o processo aos modelos climáticos, a fim de melhorar a compreensão de como as mudanças climáticas afetam o Ártico e como a região influencia o clima global.

O Dr. James Brean, co-autor e professor assistente de ciências atmosféricas na Universidade de Birmingham, explicou que “nossos resultados fornecem a primeira validação do mundo real de um mecanismo de química atmosférica recentemente identificado”. A descoberta também destaca como processos biológicos oceânicos e químicos atmosféricos estão profundamente interligados, e como mudanças em um podem afetar drasticamente o outro.

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