Pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, desenvolveram um sistema que utiliza inteligência artificial em robôs sociais para combater o bullying entre crianças. O projeto RE-Mind (Robots Empowering Minds) usa robôs como代理 para dramatizações interativas, permitindo que crianças pratiquem estratégias de intervenção contra o assédio em um ambiente seguro e lúdico.
Como funciona o RE-Mind
O sistema foi concebido pela pesquisadora Elaheh Sanoubari, do Departamento de Engenharia de Design de Sistemas, com supervisão da professora Kerstin Dautenhahn, diretora do Laboratório de Pesquisa em Robótica Social e Inteligente. De acordo com a universidade, a ideia surgiu da necessidade de criar uma maneira segura para crianças processarem experiências traumáticas de bullying.
“Não é possível colocar duas crianças juntas e pedir que encenem bullying. Isso poderia terminar mal”, explicou Sanoubari. “Mas podemos usar robôs sociais como代理 para encenações, permitindo que as crianças controlem seus comportamentos e pratiquem estratégias de intervenção em um ambiente seguro, privado e lúdico.”
No jogo, a criança assiste a cenários de assédio encenados por robôs e assume o papel de um personagem que pode intervir. As crianças também criam seus próprios robôs fictícios usando materiais domésticos, desenvolvendo um senso de propriedade psicológica com os personagens.
IA anti-bullying em espaços públicos
Um estudo separado, publicado pela Fraunhofer Society em março de 2026, investigou como sinais em robôs públicos podem prevenir o “bullying de robôs” — fenômeno que descreve comportamentos impróprios e violentos contra robôs autônomos em espaços públicos. A pesquisa testou três variantes de sinais adesivos em robôs de limpeza: informativo (mencionando consequências legais), imperativo (pedindo para não perturbar) e emocional (apelando para os sentimentos).
Os resultados mostraram que todas as variantes estimularam tendências anti-bullying, mas o sinal emocional foi percebido como mais humano e gerou maior engajamento visual. Segundo os pesquisadores, robôs que demonstram reações emocionais a comportamentos de assédio — como expressões de dor ou desligamento — aumentam a empatia das pessoas e reduzem a probabilidade de agressão.
Aplicações no Brasil
Com a crescente presença de robôs autônomos em centros comerciais, aeroportos e hospitais no Brasil, pesquisas como essa ganham relevância prática. A capacidade de robôs de comunicar de forma eficaz pode reduzir não apenas o assédio físico, mas também a violência verbal que ameaça a funcionalidade desses dispositivos.
Segundo Sanoubari, a abordagem interdisciplinar é essencial para resolver problemas complexos como o bullying. “Meus interesses sempre foram muito dinâmicos”, disse. “Mas o que meu trabalho no Laboratório de Robótica Social e Inteligente me ensinou foi repensar problemas e perceber que a maioria deles no mundo requer soluções interdisciplinares.”
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