A Electronic Frontiers Australia (EFA) pediu um banimento imediato dos óculos inteligentes Meta Ray-Ban e dos óculos Anko da Kmart no país, argumentando que os produtos criam riscos de gravação oculta e perseguição. De acordo com a organização, os dispositivos removem o sinal social visível que vem do uso de uma câmera de celular e podem ser usados sem dar aos transeuntes uma indicação clara de que a gravação está ocorrendo.
O pedido da EFA ocorre após a venda dos óculos Anko da Kmart por apenas A$ 89 se esgotar em todo o país, somando-se a um debate mais amplo sobre se câmeras vestíveis devem ser tratadas de forma diferente da fotografia por smartphone. O grupo quer que os sejam proibidos em nível estadual e federal, e que as leis de vigilância sejam atualizadas para lidar explicitamente com gravação vestível sem consentimento.
Críticas de empresas e instituições
A preocupação não é apenas australiana. No Reino Unido, a rede de pubs Wetherspoon baniu os óculos Meta de seus mais de 800 estabelecimentos, alegando que “parecem violar o código de conduta e o bom senso, ao permitir vigilância surrepta”. A empresa Monopoly Events, responsável por Comic-Con no país, também proibiu o uso dos dispositivos em seus eventos para evitar “gravação secreta” de convidados e participantes.
De acordo com relatos de mulheres britânicas, portadores dos óculos gravaram imagens delas sem consentimento, gerando sentimentos de “violação” e “medo”. A organização de apoio a vítimas de violência doméstica Refuge alertou que os óculos “ameaçam a segurança de todas as mulheres e meninas em espaços públicos”.
Defesa da Meta
Em resposta, um porta-voz da Meta afirmou que “as pessoas usam nossos óculos porque são úteis e ajudam a permanecer no momento, desde ouvir música até tradução ao vivo ou chamadas sem precisar das mãos”. A empresa destacou que os óculos possuem uma luz que se aciona quando uma foto ou vídeo é tirada, algo que celulares e outras câmeras não oferecem.
A EFA, however, argumentou que esses indicadores de gravação são limitados demais para fornecer um aviso significativo, especialmente se puderem ser obstruídos ou forem difíceis de ver ao ar livre. O grupo quer que a regulamentação proíba o uso de dispositivos vestíveis com câmeras integradas em ambientes como provadores, banheiros públicos, saunas e praias.
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