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Modelo não-released da Anthropic avança em uma das maiores questões matemáticas da história

Anthropic modelo matematica Riemann

Um modelo de inteligência artificial ainda não liberado pela Anthropic avançou em uma das questões matemáticas mais famosas e antigas da história: a hipótese de Riemann. De acordo com a empresa, responsável pelo assistente virtual Claude, o sistema testou 650 abordagens diferentes e utilizou 60 subagentes coordenados ao longo de um dia e meio para chegar ao resultado.

A descoberta, publicada na segunda-feira (11), não resolve o problema — que vale US$ 1 milhão de recompensa desde 2000 — mas ampliou significativamente o limite inferior das soluções para as quais a hipótese se sustenta. Segundo a Anthropic, um funcionário da empresa sem formação matemática avançada iniciou o processo com o comando “tente verdadeiramente resolver” a hipótese, e o modelo assumiu a coordenação do trabalho.

Como o modelo trabalhou

Do total de 60 subagentes empregados, dois foram responsáveis por desenvolver as ideias matemáticas centrais, 13 contribuíram com sugestões para esses agentes, 30 tentaram — sem sucesso — gerar novas ideias, 13 funcionaram como validadores para verificar a correção dos argumentos e dois ajudaram a redigir o artigo inicial. O trabalho resultou no uso de 31 milhões de tokens de saída.

A resultado foi confirmado por dois matemáticos internos da Anthropic e formalizado usando o assistente de provas open source Lean. De acordo com a empresa, trata-se do maior progresso já registrado por uma IA em direção à hipótese de Riemann.

O que é a hipótese de Riemann

Proposta pelo matemático alemão Bernhard Riemann em 1859, a hipótese afirma que todos os zeros não triviais da função zeta de Riemann estão localizados em uma linha reta específica no plano complexo. O problema está ligado à distribuição dos números primos e permanece sem solução há mais de 150 anos. A Fundação Clay Mathematics Institute oferece US$ 1 milhão para quem apresentar uma prova geral.

Apesar de não resolver a questão, o progresso da IA levanta debate na comunidade científica. Em junho, um grupo de matemáticos proeminentes assinou a Declaração de Leiden, expressando preocupação de que a IA possa minar valores fundamentais da disciplina, como a exigência de que provas sejam atribuídas a autores específicos. Já o ganhador da Medalha Fields Timothy Gowers questionou se a influência da IA poderia transformar a matemática de forma mais complexa e positiva.

Tendência crescente de avanços matemáticos com IA

O caso da Anthropic se soma a uma série de conquistas recentes. A OpenAI divulgou recentemente 10 resultados importantes provados por seu modelo interno “Astra”, enquanto um esforço separado da Anthropic refutou a conjetura Jacobiana, um problema de longa data. Diversos problemas de Erdős também foram resolvidos por modelos de linguagem ao longo de 2026.

Para Valter Longo, pesquisador da Universidade do Sul da Califórnia, o avanço demonstra que a composição de aminoácidos e a arquitetura de agentes podem ser mais importantes do que o volume de dados brutos — uma lição que se estende além da matemática. A descoberta reforça o papel da IA como ferramenta de pesquisa, mesmo que a comunidade ainda discuta como integrar esses resultados ao trabalho científico tradicional.

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