Um pesquisador de segurança desenvolveu um algoritmo capaz de gerar padrões que impedem câmeras de vigilância de detectar pessoas, rostos e veículos. O projeto, chamado noRecognition, foi demonstrado publicamente na Def Con, maior conferência de segurança do mundo, realizada nesta sexta-feira (8) em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Como funciona o padrão adversarial
O pesquisador Bill Swearingen passou cerca de um ano rodando o mesmo teste repetidamente, em uma busca que chegou a 31 milhões de iterações. A partir dessa base, o modelo de aprendizado por reforço passou a gerar padrões que, aplicados em roupas e objetos, enganam softwares de reconhecimento usados por leitores de placas e câmeras de vigilância.
Os padrões não bloqueiam a gravação das câmeras. Eles atrapalham a capacidade do sistema de identificar o que aparece na imagem, fazendo com que nenhum alerta de detecção seja disparado. Na prática, a pessoa ou o veículo coberto pelo padrão volta a ser “uma agulha no palheiro” até que um humano olhe diretamente para a cena.
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Algoritmos derrotados | 11 sistemas de detecção open source |
| Testes realizados | 31 milhões de iterações |
| Alvos | Leitores de placa, câmeras corporais e de rua |
| Ferramenta utilizada | Aprendizado por reforço aplicado à visão |
“Privacidade é um direito fundamental”, disse Swearingen em entrevista. O projeto funciona como uma forma de “optar por sair” do rastreamento algorítmico cada vez mais comum nas ruas de grandes cidades dos Estados Unidos e de outros países.
Como o padrão foi criado
O pesquisador construiu um laboratório que derrotava, um a um, algoritmos de detecção de vídeo open source. Com o tempo, o projeto evoluiu para um modelo de aprendizado por reforço, capaz de ensinar a si mesmo quais padrões funcionam. “Eu essencialmente ensinei meu modelo a pintar”, resumiu.
Na demonstração da Def Con, um veículo coberto com o padrão geométrico não foi detectado pelas câmeras, provando que a técnica funciona no mundo real. Os padrões mais fortes são mantidos fora da internet para evitar que fabricantes de câmeras criem contramedidas.
O debate sobre a vigilância
A pesquisa reacende o debate sobre o alcance da vigilância algorítmica em espaços públicos e sobre ferramentas tecnológicas de proteção à identidade. Para defensores de privacidade, é uma via para o cidadão recuperar parte do anonimato; para críticos, a mesma técnica poderia ser mal utilizada.
O assunto se conecta a outros temas de tecnologia e sociedade que costumam aparecer no noticiário, como a expansão da internet via satélite e as mudanças em apps usados no dia a dia. Acompanhe a cobertura na categoria Últimas Notícias do site.
