Uma nova espécie de cobra foi identificada nas florestas de Nova Guiné, e o nome escolhido veio do mundo do rock. O réptil, uma cobra-terrestre de cerca de 70 centímetros de comprimento e cor marrom-avermelhada, foi batizado de Lielaphis slashi, ou cobra-terrestre do Slash. A homenagem é ao guitarrista do Guns N’ Roses, Slash, que além da música tem uma longa paixão por répteis e apoia zoológicos e museus.
A descoberta foi detalhada por pesquisadores vinculados ao Field Museum, de Chicago, em um estudo publicado na revista Zootaxa. Segundo os cientistas, a nova espécie é geneticamente distinta dos parentes mais próximos e vive em um habitat florestal ameaçado, o que reforça a importância de estudar e preservar a região.
Por que o nome em homenagem ao guitarrista
A escolha do nome não foi aleatória. Sara Ruane, curadora associada de herpetologia do Field Museum e autora sênior do estudo, revelou que o Guns N’ Roses é uma de suas bandas favoritas desde a infância. Ainda criança, ela já havia decidido que queria ser herpetóloga, a cientista que estuda répteis e anfíbios.
A conexão se completou quando, aos 12 anos, Sara recebeu uma revista de répteis com uma foto de Slash segurando uma python. Para ela, era a mistura perfeita entre a música que amava e o mundo dos animais que viraria profissão. Anos depois, com a chance de nomear uma espécie recém-descoberta, a cientista voltou àquela lembrança.
Slash, por sua vez, disse se sentir honrado e agradecido com a homenagem. Em nota, o músico afirmou que nunca imaginou que chegaria a um momento como esse e celebrou o fato de seu interesse de longa data por répteis ajudar a divulgar a ciência.
Por que descobertas assim importam
Encontrar e catalogar novas espécies é fundamental para entender a biodiversidade global. Cada nova cobra identificada amplia o que sabemos sobre a evolução e a distribuição dos animais. Assim como a descoberta de uma nova linhagem de crocodilo com 125 milhões de anos, cada achado ajuda a montar o quebra-cabeça da vida na Terra. No caso dessa espécie, o alerta sobre o habitat ameaçado ganha ainda mais peso: preservar a floresta é o que garante a sobrevivência de espécies que talvez nem tenham sido descobertas ainda.
A história também mostra como a ciência pode se aproximar do público de maneiras inesperadas. Um nome ligado à cultura pop ajuda a levar a descoberta para além dos círculos acadêmicos, despertando curiosidade em quem nunca tinha pensado em estudar répteis. É ciência com uma pitada de rock, unindo dois mundos que, no fim das contas, compartilham o mesmo espírito de criatividade e descoberta.
