O observatório ALMA, no Chile, revelou a imagem mais detalhada já feita da superfície de Betelgeuse, uma das estrelas mais famosas do céu. Os registros mostram pontos brilhantes e uma textura quase ondulada, resultado do deslocamento de enormes quantidades de plasma no astro. O resultado foi publicado pela revista Space.com, que citou dados do Observatório Europeu do Sul (ESO).
Uma estrela gigante e turbulenta
Betelgeuse está a cerca de 600 anos-luz da Terra e é uma supergigante vermelha, com aproximadamente 20 vezes a massa do Sol, mas expandida até ocupar cerca de 800 vezes o tamanho da nossa estrela. As novas observações, capturadas em 2023, mostram que sua superfície é marcada por grandes bolhas e áreas de intenso calor.
Segundo os cientistas, a atmosfera da estrela tem uma temperatura média de cerca de 2.030 graus Celsius. Há, porém, pelo menos duas regiões mais quentes, sendo uma delas 530 graus acima do plasma ao redor. As medições foram feitas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, um conjunto de antenas instalado no deserto do Atacama.
Por que Betelgeuse fascina tanto
A estrela ganhou o centro das atenções há alguns anos, quando passou por um escurecimento rápido e dramático. O fenômeno levou parte dos cientistas a especular que ela pudesse explodir em uma supernova a qualquer momento. Isso ainda não aconteceu, e os pesquisadores estão menos convencidos de que a explosão seja iminente.
Mesmo assim, o astro continua sendo alvo de grande atenção científica. “O fato de ele algum dia virar supernova torna fascinante saber como ele é agora”, disse Bill Dent, astrônomo do ESO que liderou o estudo, em comunicado. Betelgeuse também se destaca por ser uma das poucas estrelas visíveis a olho nu que podem morrer em explosão dentro de um prazo relativamente curto em escala astronômica.
O que isso significa para a astronomia
As imagens ajudam a entender melhor como estrelas gigantes perdem massa e evoluem até o fim de suas vidas. Esse tipo de estudo também ajuda a explicar a formação de objetos exóticos no universo, como os que andam soltos pela galáxia. Um bom exemplo é o objeto com massa de Saturno que vaga sozinho pela Via Láctea, que intriga os pesquisadores.
A técnica usada no ALMA, capaz de enxergar em comprimentos de onda milimétricos, é a mesma que permitiu estudar detalhes inéditos de outros corpos celestes, como o jato atmosférico mais rápido já medido em um exoplaneta. Com mais instrumentos desse tipo em operação, a expectativa é que venham aí novas revelações sobre as estrelas mais extremas do céu.
