Existe um mundo solto vagando pela Via Láctea, sem nenhuma estrela para chamar de sua. Astrônomos mediram um objeto com massa equivalente à de Saturno cruzando a galáxia sozinho pelo espaço, conforme revelou o Space Daily. A descoberta reforça uma ideia que vem ganhando força na astronomia: os mundos errantes podem ser muito mais comuns do que se pensava.
Um planeta sem sol
Objetos desse tipo são chamados de planetas flutuantes ou mundos órfãos. Eles nascem como qualquer planeta, mas acabam ejetados do sistema onde se formaram, talvez por causa de encontros gravitacionais com estrelas ou outros corpos maiores.
Sem uma estrela materna, esse mundo não recebe luz própria. O detalhe surpreendente é a massa: tudo indica que se trata de um gigante gasoso do tamanho de Saturno, que em vez de orbitar uma estrela, viaja sozinho pelo vazio.
Como os cientistas o encontraram
A descoberta foi possível graças a uma técnica chamada microlente gravitacional. Quando um objeto massivo passa na frente de uma estrela distante, a gravidade dele curva a luz, criando um brilho momentâneo característico. Esse efeito permite “pesar” o corpo mesmo sem vê-lo diretamente.
Os levantamentos de microlente indicam que esses mundos invisíveis podem superar em muito o número de estrelas da galáxia.
Vinte mundos para cada sol
Segundo os cálculos, planetas flutuantes podem ser mais numerosos que as estrelas da Via Láctea por uma margem de cerca de vinte para um. Se confirmado, o cenário muda completamente a visão que temos do nosso quintal cósmico.
É um contraste curioso com os exoplanetas que conhecemos orbitando estrelas distantes, como os que revelam atmosferas extremas e jatos violentos. Os mundos órfãos, por outro lado, moram na escuridão e só aparecem quando passam bem na nossa frente.
O que isso significa
A existência de tantos mundos errantes muda as estimativas sobre quantos planetas habitam a galáxia. Também levanta perguntas sobre a formação planetária e sobre corpos como a fase jovem e turbulenta das estrelas, que costuma ser apontada como o berço de muita ejeção planetária.
Os cientistas querem agora descobrir o que existe no interior desses gigantes solitários e explicar por que tantos planetas foram “abandonados”. Observatórios de nova geração devem ajudar a caçar mais objetos assim nos próximos anos.
Um convite à curiosidade
Saber que existem mundos vagando sozinhos pela escuridão é um lembrete de como o universo ainda guarda mistérios. Cada nova medição de um planeta órfão aproxima a ciência de entender, de fato, o que existe lá fora.
