O Google retirou em menos de 24 horas uma ferramenta de inteligência artificial do Google Earth que permitia aos usuários criar imagens satelitais falsas a partir de prompts de texto. A funcionalidade, que usava o gerador Nano Banana 2, gerou protestos de jornalistas, verificadores de fatos e pesquisadores de desinformação.
A controvérsia começou na quinta-feira (30), quando o Google anunciou que o Nano Banana 2 — seu gerador de imagens por IA — estaria integrado ao Google Earth. A empresa sugeriu usos como “ajudar estudantes a visualizar o passado” ou “criar planos imobiliários profissionais”. Mas os usuários rapidamente testaram os limites da ferramenta.
Imagens falsas geram alarme
O pesquisador de IA Henk van Ess criou imagens de usinas nucleares falsas no Irã, campos de refugiados na fronteira EUA-México e crateras de bombas perto de hospitais em Gaza. “A falsificação não precisa ser convincente por si só. Ela herda a credibilidade do mapa em que foi gerada”, explicou van Ess.
A BBC Verify testou a ferramenta e confirmou o risco. O sistema SynthID, que marca imagens com watermarks invisíveis, podia ser contornado — e ferramentas externas de detecção de IA também falharam em identificar as imagens falsas.
Retirada rápida
O Google reagiu em menos de 24 horas, desligando a funcionalidade e prometendo “guardrails mais fortes”. A empresa reconheceu que “vimos profissionais geoespaciais usando essa funcionalidade para diversos fins úteis, mas também vimos pessoas compartilhando capturas de tela que parecem violar nossas políticas”.
A ex-tecnóloga geoespacial do Google escreveu: “Costumávamos descrever o Google Earth e o Maps como um espelho do mundo real… Essa base absoluta de confiança foi estruturalmente destruída essa semana.”
Impacto para o jornalismo
A integração de IA generativa ao Google Earth é particularmente problemática porque o site é usado por jornalistas e pesquisadores para verificar imagens em tempo real. Diferente do ChatGPT, que gera imagens do zero, o Google Earth editava imagens satelitais reais — tornando as falsificações muito mais difíceis de detectar.
Analistas apontam que a decisão do Google mostra que, mesmo na era da IA, a confiança continua sendo o ativo mais valioso das empresas de tecnologia.
A decisão do Google é vista como um precedente importante: em um momento em que empresas de tecnologia correm para integrar IA generativa em todos os seus produtos, o caso mostra que a confiança do usuário pode ser mais valiosa do que a inovação. Jornalistas e pesquisadores dependem do Google Earth para verificar desastres, conflitos e eventos climáticos em tempo real.
O episódio também reforça a importância da verificação multi-fonte: antes de confiar em qualquer imagem satelital, especialistas recomendam cruzar informações com fontes como o Copernicus Sentinel-2 da Europa e registros de satélites comerciais.
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