Uma ilha de gelo do tamanho de Manhattan acabou de se descolar da Groenlândia, de acordo com imagens de satélite analisadas por cientistas. O evento, divulgado pelo site SciTechDaily, é mais um sinal do aceleramento do derretimento das calotas polares e reforça as preocupações com o aumento do nível do mar global.
Como aconteceu o descolamento?
A ilha de gelo, com aproximadamente 110 quilômetros quadrados, se separou da geleira Petermann no norte da Groenlândia após um período prolongado de temperaturas acima da média. De acordo com especialistas em glaciologia, o processo de fissura já era monitorado há meses, mas a rapidez com que a separação ocorreu surpreendeu pesquisadores. Segundo o site Gizmodo, que também cobriu o evento, a fragmentação é resultado direto do aquecimento oceânico que enfraquece a base das geleiras.
O gelo descolado forma o que os cientistas chamam de “iceberg”, mas suas dimensões são tão grandes que pode ser classificado como uma ilha flutuante. Se todo o bloco derreter, o volume de água liberado é suficiente para elevar o nível do mar em uma fração de milímetro, mas o impacto acumulado de eventos similares é significativo.
Impacto no nível do mar
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o derretimento das geleiras groenlandesas é responsável por aproximadamente 0,7 milímetros de elevação do nível do mar por ano. Especialistas apontam que, se a tendência continuar, cidades costeiras como Recife, Santos e Rio de Janeiro enfrentarão riscos crescentes de inundação nas próximas décadas.
O que está por vir?
Cientistas do Instituto Niels Bohr, na Dinamarca, indicam que a Groenlândia está perdendo gelo a uma taxa três vezes maior do que na década de 1990. De acordo com o instituto, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, a calota groenlandesa pode perder até 40% de sua massa até o final do século. Isso resultaria em uma elevação do nível do mar de cerca de 10 centímetros, ameaçando ecossistemas costeiros e comunidades humanas em todo o mundo.
Os pesquisadores reforçam a urgência de reduzir emissões de gases de efeito estufa para frear o processo de derretimento antes que se torne irreversível.
