Uma técnica avançada de imagem por ressonância tridimensional revelou os segredos escondidos dentro do corno espiralado do narval, o mamífero marinho conhecido como “unicórnio do mar”. De acordo com o estudo publicado pela Reuters, a pesquisa utilizou tecnologia de raios X em alta resolução para mapear a estrutura interna do corno sem precisar cortá-lo, abrindo novas possibilidades para a compreensão da biologia desses animais.
Como a tecnologia funciona
De acordo com os pesquisadores da Universidade de Copenhague, a técnica empregada permite capturar imagens tridimensionais do corno com resolução na escala de micrômetros. O processo funciona de forma semelhante a uma tomografia computadorizada, mas com raios X de energia muito mais alta, capazes de penetrar a camada externa dura do corno e revelar sua estrutura interna. Segundo o time de cientistas, a resolução alcançada é 100 vezes maior do que a de scanners médicos convencionais.
As imagens revelaram que o corno do narval não é uma estrutura sólida e homogênea, como se acreditava anteriormente. De acordo com o estudo, ele é composto por milhões de tubos microscópicos organizados em espiral, semelhantes a tubos de capilaridade. Essa estrutura permite que o corno seja simultaneamente resistente e flexível, capaz de suportar pressões extremas sem quebrar.
Descobertas surpreendentes
De acordo com a pesquisa, a estrutura interna do corno contém receptores sensíveis a variações de temperatura e pressão, o que sugere que o narval utiliza o corno como um órgão sensorial. Essa hipótese já havia sido levantada por cientistas, mas as imagens por ressonância 3D forneceram a primeira evidência concreta dessa funcionalidade. Segundo os autores do estudo, o corno pode permitir que o narval detecte mudanças nas correntes oceânicas, na temperatura da água e até na presença de presas.
Outra descoberta relevante foi a presença de resíduos de minerais como calcita e fosfato de cálcio no interior do corno, organizados em camadas concêntricas. De acordo com os pesquisadores, esses minerais podem ter propriedades antimicrobianas naturais, o que explicaria por que os narvals raramente apresentam infecções nos corno, mesmo vivendo em ambientes marinhos cheios de bactérias.
Aplicações para a conservação e medicina
Para a biologia marinha, a pesquisa abre caminho para métodos não invasivos de estudo de animais selvagens. De acordo com especialistas em conservação, a técnica de imagem pode ser adaptada para monitorar a saúde de narvals sem a necessidade de capturá-los, o que é fundamental para o monitoramento de populações em declínio. Segundo dados da IUCN, a população de narvals no Ártico sofreu redução de 30% nos últimos 20 anos.
Na medicina, a descoberta da estrutura tubular do corno pode inspirar novos materiais biomédicos. De acordo com pesquisadores do MIT, a organização em espiral dos microtubos oferece um modelo para a criação de implantes ortopédicos mais resistentes e flexíveis. Segundo o estudo, a arquitetura natural do corno do narval supera em resistência muitos materiais sintéticos atualmente utilizados.
Para quem acompanha descobertas científicas, vale conferir a cratera misteriosa em SP causada por asteroide de zircão e como fótons escuros podem explicar a matéria escura. Para quem se interessa por ciência aplicada, também pode conferir como foi capturada a imagem da atmosfera do Sol durante um eclipse solar.
A imagem por ressonância 3D do corno do narval demonstra como a tecnologia pode revelar segredos da natureza que estavam escondidos à vista de todos, reforçando a importância da pesquisa científica para o entendimento do mundo natural.
